Capacitação em neurociência na educação dará início ao ano letivo de Lajeado

Nesta quinta-feira (15), a médica Leonor Bezerra Guerra, de Minas Gerais, falará sobre o tema aos cerca de 1.200 professores da rede municipal de ensino.

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Estímulos ao cérebro na aprendizagem serão abordados na palestra. Foto: Em cena Saúde Mental/ Ilustrativa.

A importância do cérebro na aprendizagem das crianças e dos adolescentes será apresentada aos professores da rede municipal de ensino de Lajeado, nesta quinta-feira (15), durante a abertura oficial do ano letivo. O tema será abordado na palestra “Cérebro e Aprendizagem: Um Diálogo entre Neurociência e Educação”, com a médica e pesquisadora Leonor Bezerra Guerra, de Minas Gerais (MG). Cerca de 1.200 educadores são aguardados na capacitação, às 8h30, no Teatro da Univates.


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Esta será a primeira vez da doutora no Vale do Taquari. Leonor trabalha o tema desde 1994, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), logo que a neurociência começou a ser pesquisada no Brasil. Seu interesse partiu de conversas com professores, que se mostraram favoráveis à implantação da ciência na aprendizagem.

“Quando eu fui comentar sobre a importância do cérebro, dizendo que os educadores, mais do que outro profissional trabalhavam cotidianamente com o cérebro dos aprendizes, e expliquei o processo de neuroplasticidade para esses educadores, uma professora, de quase 20 anos de magistério, disse assim pra mim: por que eu não aprendi isso antes, quando eu comecei a atuar como professora?”, diz.

Conforme Leonor, esta fala desencadeou o seu interesse pela temática, que é mais difundida em países como Estados Unidos, Noruega, Dinamarca e Austrália. “Na época, eu era pesquisadora básica e não trabalhava na área da educação. Não tenho formação em pedagogia. Mas ao longo desta fala, eu comecei a pensar o quão interessante seria para os professores compreenderem melhor o sistema biológico com o qual eles trabalham cotidianamente”, relata.

Questões como comportamento, neurociência, aprendizagem e perspectiva comportamental se tornaram o seu objeto de estudo. Durante 24 anos destinados à pesquisa da neurociência na educação, Leonor estima que 40 mil educadores tenham sido capacitados em cursos, especializações e palestras. “Na verdade, quem me formou foram os professores com os quais eu tive a oportunidade belíssima de conversar e trocar ideias – o que, ao longo do tempo, fizeram com que eu fosse adequando a linguagem da neurociência a algo mais específico para o professor”.

Cérebro e a aprendizagem

Entender melhor o funcionamento do cérebro e os comportamentos que emergem da estrutura cerebral: esse é o objetivo da neurociência, ramo que estuda o sistema nervoso. Aplicado à educação, esse conjunto de conhecimentos pode auxiliar na fixação dos conteúdos nos alunos. “São os comportamentos que utilizamos durante o processo de aprendizagem, como atenção, função executiva e memória”, explica.

Através das regras de funcionamento do cérebro, o processo biológico da neuroplastia é visto como ferramenta importante na aprendizagem dos indivíduos – o que consiste na capacidade de um tecido neural se reagrupar e rearranjar conexões entre os neurônios. Ainda não há um estudo no Brasil que apresente resultados da neurociência na educação. No entanto, Leonor ressalta que pesquisas paralelas, como as que tratam de psicologia cognitiva, já conseguiram apresentar dados.

Desde 1994, médica Leonor Bezerra Guerra pesquisa os reflexos da neurociência na educação. Foto: Natalia Ribeiro

“Está muito claro que você não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, com a mesma eficiência. Também se sabe que é pela repetição que se aprende. É melhor você retomar conteúdos do que aprender tudo em um dia”, afirma. Na Austrália, simulações em ambientes escolares apuram eficácia da neurociência no ensino.

Para Leonor, o aluno deve ser o protagonista no processo de aprendizagem – conclusão que pretende desenvolver em Lajeado. “O cérebro que tem que aprender é o que precisa funcionar. Então mais do que o professor falando 50 minutos, preciso do aluno pensando, perguntando, lendo e discutindo em sala de aula”, comenta.

Na palestra, serão apresentados temas como as bases biológicas e neurológicas de neurociência na aprendizagem. “Ou seja, dar a ideia de como é que a gente aprende”. Entre os conteúdos, estão as funções cognitivas, como a atenção e memória, com o objetivo de privilegiar o desenvolvimento desses setores.

Rede de pesquisa

Criada em 2014, a Rede Nacional de Ciência para a Educação busca reunir interessados e pesquisadores no tema, para a troca de informações. Os interessados em auxiliar no processo de evolução da educação poderão participar do grupo, mediante cadastro e acesso no site oficial, endereço www.cienciaparaeducacao.org.

Estrutura

São 1.200 professores atuando rede municipal de educação de Lajeado. Eles estão divididos em 23 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), 18 Escolas de Ensino Fundamental (Emefs) e seis Projetos Vida. Cerca de nove mil alunos são absorvidos na rede pública do município. NR

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