Delegado fala sobre disputa por território entre facções e menores usados pelo crime

“Para mim, são todos ‘farinha do mesmo saco’”, afirma José Romaci Reis, titular da DP de Estrela, sobre membros de facção.

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Foto: Rodrigo Gallas

O titular da Delegacia de Polícia de Estrela, delegado José Romaci Reis, falou em entrevista à Rádio Independente nesta terça-feira sobre os homicídios relacionados à disputa por território entre facções criminosas. O delegado minimizou a atuação das organizações, mas reconhece que as últimas mortes têm relação com isso, inclusive dois corpos encontrados carbonizados em um veículo em Estrela no fim de semana.


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“Eu, para falar a verdade, não vejo facção nenhuma. Para mim, são todos ‘farinhas do mesmo saco’. São todos ladrões, bandidos. Não muda se é dessa ou daquela facção, não importa. Mas essas mortes que têm ocorrido por aí é tudo relacionado a isso e ao tráfico de drogas”, reconhece. “A gente sabe que a disputa por pontos de vendas e pagamentos não realizados o que acontece é isso: um acaba matando o outro.”

Reis fala que “os comandantes da empreitada criminosa geralmente são maiores”, mas que menores são usados para o trabalho de campo na ação. “O que eles fazem? Eles arrebanham esses ‘cabeças de lata’ menor, que não tem cérebro, e eles vão para frente do negócio e cometem os crimes”, afirma o delegado. “Principalmente esses homicídios que têm ocorrido por aí, a maioria deles têm sido cometidos por menores”, revela.

“Eles [os menores] acham que não vai dar nada para eles, mas eles têm que saber que vai ficar o antecedente para toda a vida. E eles podem ser internados na Fase, no caso de homicídios eles podem pegar até três anos de internação. A diferença é que lá são menores, mas eles são tão bandidos como os maiores”, analisa o delegado, que conta ainda que há menores sendo coagidos pelos chefes do crime. Cita um caso em Estrela: “A gente sabia que não tinha sido ele, mas o menor queria assumir”, explica. Depois de liberar o menor, “uma semana ou duas depois ele voltou e assumiu, coagido. ‘Eu tenho que dizer que fui eu, se não eu morro’”, confessou.

Para o delegado, “o tráfico não é uma boa, tu acaba ganhando dinheiro por algum tempo, mas tu acaba sempre perdendo tudo, com advogado, com médico, internados em uma clínica. Realmente não é uma boa, tu pode ganhar um troco de início, mas depois acaba perdendo tudo e parando num inferno que é uma cadeia.” TS

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