Descaso e falta de valorização afastam professores das salas de aula, diz membro do conselho do Cpers

Luzia Hermann reclama da "perda de direito" ao falar da licença-prêmio.

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Foto: Rodrigo Gallas

A Assembleia Legislativa provou na sessão do dia 26 de fevereiro duas propostas de emenda à Constituição (PECs) apresentadas ainda pelo então governador José Ivo Sartori e chanceladas pelo atual gestor do Piratini, Eduardo Leite (PSDB): uma que extingue a licença-prêmio e outra que muda a forma como o governo do Estado conta o tempo de carreira do funcionalismo.


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As matérias já haviam sido aprovadas em primeiro turno em 2017. Por se tratar de mudanças na Constituição, é necessária aprovação em dois turnos. Por 38 votos a favor e 12 contrários, os parlamentares acabaram com a licença-prêmio, que permitia aos servidores tirarem três meses de descanso a cada cinco anos trabalhados. A PEC também cria uma licença-capacitação.

Para a membro do conselho geral do Cpers-Sindicato Luzia Hermann, a medida representa uma perda de direitos para a categoria. “Numa categoria que já está tão penalizada, qualquer direito que nos for retirado é absurdo”, afirma. Luzia diz que Leite é da mesma linha de Sartori. “Só que dessa vez elegeram uma base maior do governo. Então, eles vão aprovar tudo que eles entenderem que é bom para o governo e não para os trabalhadores”, lamenta.

Segundo a professora, o fim da licença-prêmio acentua as dificuldades da categoria. “O descaso que tem, a falta de valorização da profissão: as pessoas não querem mais ser professores. Nós temos, então, esses regimes de contrato de trabalho que são um regime absurdo. Você não tem direito a nada, sai com uma mão na frente e a outra atrás. A maioria dos profissionais que tem nas escolas são contratados, poucos são nomeados”, explica.

Luzia diz que esses fatores são os responsáveis pela falta de professores registada neste início de ano letivo. “Hoje estão fazendo a exigência de que o professor só pode atuar na área que foi contratado, isso está dificultando muito a organização nas escolas”, complementa. As direções de escolas têm que retirar profissionais de setores como biblioteca e serviço de orientação para colocá-los nas salas de aula, de modo a suprir a falta de docentes.

“Não podemos ficar a merce de tudo isso, sem reação. Acredito, sim, que hoje temos uma crise de liderança”, analisa a membro do conselho geral do Cpers-Sindicato. “O que aconteceu: as pessoas, pela falta de conhecimento de seus papéis, foram se deixando cooptar. A politicagem foi tomando conta do nosso povo. As pessoas não sabem mais por onde ir, quem fala a verdade, quem mente, quem está se aproveitando”, lamenta, sobre o quadro geral da educação e da política brasileira. TS

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