“É uma preocupação à toa”, diz delegado sobre pânico por suposta presença de facções em Arroio do Meio

João Alberto Selig defende maior participação familiar no combate à drogadição.

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Delegado João Selig (Foto: Tiago Silva)

O delegado João Alberto Selig, titular da Delegacia de Polícia Civil de Arroio do Meio, procura afastar o sentimento de pânico em função da alta dos índices de criminalidade no município — em 2017 são quatro homicídios registrados, sendo três nos últimos 20 dias. A preocupação na comunidade cresceu após fotos e vídeos, compartilhados via WhatsApp, indicarem a presença de facções em Arroio do Meio.

Quando o material disseminou-se, a delegacia chegou a receber mais de 100 ligações de pessoas procurando esclarecimentos. “É uma coisa que não existe, é uma preocupação à toa”, afirma Selig, para quem foi criado um pânico desproporcional. “E os marginais se aproveitaram do desespero”, lamenta.


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O delegado confirma que há uma tendência de facções da Capital tomarem espaços no interior, mas os criminosos que vêm “chegam para dar reforço a um traficante local”, estabelecendo parcerias no mundo do crime.

“Vou ser bem franco: todos os que temos pegos são pessoas da própria cidade”, diz. Para Selig, “nós não podemos estar nos preocupando que tenham organizações. O que nós temos que ver é com o tráfico local, com as mortes locais”, afirma.

O titular da Delegacia de Arroio do Meio entende que o problema da criminalidade tem que ser combatido não só pela polícia; a comunidade tem função importante nesse sentido.

“O que é mais importante, e que não está sendo realizado, é uma imensa campanha na nossa região para que as famílias tomem também pé dessa situação. Por que isso? Por que estão se instalando grupos de tráfico em tudo quanto é lugar? Simplesmente porque a procura é enorme. Porque a juventude — e não só a juventude, um monte de barbado de 40 anos também —, está cada vez mais usando drogas.  Se tem procura, há cada vez mais oferta.”

“A partir do momento que nós, como família, conseguirmos tirar alguns das drogas, vai significar menos venda. E, a partir do momento que tivermos menos venda, teremos menos grupos criminosos. […] Automaticamente, eles se matam comercialmente.” TS

 

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