Energia: precisamos voltar para o passado?

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Foto: Divulgação

Lembro-me que existiam pequenas localidades que eram abastecidas de luz por gerador tocado a motor diesel. Na praia de Arroio Teixeira 15 minutos antes de ser desligado o motor davam três piscadas avisando. Nos bares era a vez dos lampiões, “liquinho” e cada um tinha seu foco para voltar para casa. E ainda tinha a “lâmpada Aladim”, já mais sofisticada e precisava ter cuidado para não queimar a camisa.

As propriedades rurais que tinham luz eram fraca e só para o básico, lâmpadas, geladeira, rádio, TV, chuveiro e liquidificador e olha lá. Praticamente todas tinham motores a gasolina que fazia funcionar a serra e a trilhadeira e pequenos equipamentos. Também tomada de força do trator (cinquentinha, tobata…) era o gerador da propriedade tocava tudo que era preciso. Houve melhora das redes elétricas e a demanda por equipamentos fez melhorar muito o trabalho na área rural. Motores elétricos mais potentes e limpos trouxeram o desenvolvimento sem dúvida. Abandonaram-se muitas alternativas existentes como cataventos, roda d’água, carneiro hidráulico, motores a gasolina e diesel.

A evolução tecnológica tem sido mais rápida que o acompanhamento da melhoria das redes no fornecimento de energia. Cada vez mais dependente de uma fonte energética e quando esta falha é um caos. Prejuízos que inviabilizam a safra e precisam ser pagos às vezes em mais anos. Ou refazer financiamentos.

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Temos duas realidades. Uma em que os agricultores são “donos da luz” através das Cooperativas de eletrificação (CERTEL- CERTAJA- CERFOX) que tem dado as melhores respostas. Procuram acompanhar o crescimento e o atendimento mais rápido em casos de panes e eventos climáticos. E outra em que a rede esta em mãos de empresa que encontra séries de dificuldades de acompanhar e darem atendimento. Coma as redes são regionalizadas o agricultor não tem escolha.

Uma queixa que tenho ouvido de engenheiros é a falta de informação de ligação de novos equipamentos para poderem estruturar as redes. Cada vez se compra mais eletrodoméstico e equipamentos e também são mais exigidos tecnologias que exigem eletricidade.

Na criação de aves, suínos e gado leiteiro são investidos muito dinheiro, acima da capacidade de pagamento a curto espaço de tempo. E quando temos eventos climáticos que atinge a rede ou instalações ou mesmo estes dia de muito calor, vemos pilhas de animais mortos, ou de perdas significativas de peso ou de leite jogado fora. Valores que muitas vezes passam do custo de um gerador. Sei é mais um investimento que vai aumentar o custo de produção. O seguro ainda é incipiente no meio rural, ou ainda o “aval” de garantia no fornecimento da empresa e ou do prejuízo involuntário, que eu duvido que aconteça pelo menos por enquanto.

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Tenho acompanhado mais normas técnicas que também exigem mais energia, na produção de aves, qualidade do leite (contagem de células…), mas como fazer sem garantia de luz. Querem notas fiscais eletrônicas, como? Sinal de internet em grande parte do interior é ruim isto quando tem. E depende de energia elétrica. Cursos EAD, para qualificar os produtores e filhos, das nossas instituições de ensino a mesma coisa. O fornecimento de água para as comunidades e propriedades de poços artesianos também precisam de energia e teremos aí problema duplo: falta de energia e água e ainda falta de água potável.

E bem verdade isto tem provocado uma reação positiva para vencer as dificuldades. O biodigestor, tentado anteriormente, vem sendo atualizado com novos equipamentos passando a ser viável. Podendo ser interessante para alguns produtores. O crescimento do uso de energia limpa como os novos “cataventos” (energia eólica) e os painéis solares (fotovoltaicas, energia solar), energia a partir de biomassa e novas turbinas eficientes e pequenas. São alternativas que estão se tornando cada vez mais baratas.

Fica a provocação. Ou melhora ou o poder público precisará investir e reforçar nas redes de novos bairros ao redor das cidades. Os valores serão bem mais altos para dar o acolhimento de que vêm do campo com luz, água, ruas, escolas, saúde e por aí vai.

por Nilo Cortez.

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