Exoneração de servidora pode ter influenciado na composição das comissões da Câmara de Lajeado

Vereador Paulo Tóri (PPL) alega que CC indicada pelo partido foi demitida um dia antes da votação, fazendo com que ele migrasse da situação para a oposição.

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Paulo Tóri (PPL) está no terceiro mandato como vereador no parlamento lajeadense (Foto: Natalia Ribeiro)

A escolha da chapa para comandar as comissões internas da Câmara de Vereadores de Lajeado ultrapassou os limites do plenário. Foram duas tentativas e muita confusão para que a composição fosse determinada, na manhã desta sexta-feira (08). Único que mudou o posicionamento no intervalo entre os encontros, o vereador Paulo Adriano da Silva (PPL), o Paulo Tóri, alega que questões externas tenham influenciado na decisão. Segundo ele, a prefeitura descumpriu um acordo feito com o partido.


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O trato foi firmado, segundo ele, no fim de 2018, visando a escolha da Mesa Diretora da casa. À época, a administração municipal teria ofertado dois cargos comissionados (Ccs) em troca do apoio de Tóri ao candidato da situação, Waldir Gisch (PP). “O MDB não deu espaço para o PPL, com nenhum cargo, e aí o PP, que tinha a outra chapa, nos ofereceu cargos para acomodar uma ou duas pessoas que trabalham conosco”.

A chapa apoiada pelo MDB tinha à frente Neca Dalmoro (PDT), que acabou vencendo o comando da casa. Mesmo com a derrota da situação, a promessa da prefeitura foi cumprida, segundo o vereador, há duas semanas. Uma mulher, filiada ao PPL, e que integra a diretoria municipal do partido, teria sido admitida como CC na Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer. Tóri é o único vereador da sigla em Lajeado. Ele alega que o partido é neutro e que sempre se coloca à disposição para conversar com as demais legendas e, assim, chegar a um entendimento sobre o voto.

Para a composição das comissões internas, o vereador, que está no terceiro mandato, teria sido procurado novamente pela prefeitura. “Nesse meio tempo é óbvio que as pessoas ficam assediando os vereadores e eu estava tranquilo, até então”. Na sessão da última terça-feira (05), para quando era prevista a eleição, ele estava inscrito numa chapa formada pela situação. Porém, para a surpresa da casa, mudou de lado nesta sexta. A justificativa: a exoneração, por telefone, da CC que havia sido contratada.

“O secretário da pasta em que ela estava trabalhando ligou para ela e disse: ‘o teu vereador tá meio balançado e não sabe para que lado vai. Então nós estamos acabando de te exonerar e tu não precisa mais vir trabalhar porque tu está fora’. E ela me ligou, tipo 17h, 17h30, dizendo o que tinha ocorrido”. Depois disso, Tóri conta que participou de reunião com o PPL, onde o novo posicionamento foi definido.

Mais tarde, ainda ontem, ele teria informado a mudança de chapa ao prefeito Marcelo Caumo (PP). “Porque se eles não estão cumprindo com o acordo que eles tinham conosco e já estão misturando tudo, por favor. Não é por aí. Tem que ter um pouco de respeito pelas pessoas, pelos partidos e pelos cidadãos”, fala Tóri.

Secretário nega

Titular da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, Carlos Reckziegel nega as alegações do vereador Tóri. Ele destaca que os poderes são independentes e que, por isso, a pasta não interfere nas decisões da Câmara de Vereadores de Lajeado. “Essa informação não procede, eu não fiz dispensa de pessoa alguma por telefone. Não é costumeiro a gente estar fazendo isso, até por respeito às pessoas quando há uma mudança dentro da secretaria a gente conversa pessoalmente, né, então realmente é uma informação que eu estou sendo pego de surpresa e ela não confere”, responde.

Reckziegel, no entanto, confirma que houve uma exoneração ontem, quinta-feira. Porém, fala que a motivação teria sido diferente da que foi apresentada por Tóri. “Uma pessoa que está conosco recebeu uma proposta na iniciativa privada e estava por sair. Recentemente, contratamos outra pessoa para trabalhar em substituição a essa. Ela acabou não saindo, mudou de ideia, então não foi mais necessário seguir com a nova contratação”, explica. A CC estava há cerca de duas semanas na função.

Informações de bastidores dão conta de que os vereadores situacionistas pensam em judicializar o caso, na tentativa de reverter a eleição dos opositores.A reportagem entrou em contato com Mozart Pereira Lopes (PP), líder de governo na casa, para confirmar a situação, mas não obteve retorno até o fechamento do texto. NR

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