Maduro nega crise migratória na Venezuela e diz que país está ‘em ordem’

País realiza eleição presidencial neste domingo; principal grupo de oposição não participará.

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Foto: AFP/Juan Barreto

Em entrevista ao canal de televisão France24, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, falou sobre a falta de reconhecimento internacional para as próximas eleições, negou a crise humanitária e migratória em seu país e acusou seus vizinhos latino-americanos de tramar “uma campanha contra a Venezuela”.

No dia 20 de maio, cerca de 20 milhões de venezuelanos estão convocados para participar das eleições presidenciais. O evento, entretanto, tem recebido pouca atenção da comunidade internacional.

O ditador, herdeiro político de Hugo Chavez, busca sua reeleição numa disputa da qual sua principal oposição, representada pelo partido Mesa da Unidade Democrática (MUD), não participará. Questionado sobre as declarações dos EUA e de países vizinhos de que está na hora de uma mudança de governo, Maduro afirma que “estão tentando criar uma pressão e que isso não é novidade. São ameaças inaceitáveis, a Venezuela é um país cuja democracia é impecável”.

O ditador sustentou que várias administrações (Clinton, Bush, Obama e Trump) tem demonstrado que o “objetivo da política norte-americana com relação à revolução bolivariana é descartá-la, submetê-la a pressões e buscar uma mudança de governo”.

Ao contrário do presidente boliviano Evo Morales, Maduro não teme uma intervenção militar. “As condições geopolíticas e as fortalezas da revolução bolivariana tornam inviáveis quaisquer alternativas nesse sentido”, afirmou. “Não atuamos segundo o medo, mas segundo certezas.”

Quando o assunto foram as acusações de dinheiro recebido da construtora Odebrecht para a campanha eleitoral de 2013, Maduro afirma que “se tem algo do qual não podem me chamar é corrupto e bandido. Não preciso, nem nunca precisarei do dinheiro da Odebrecht”, ressalta.

De acordo com dados do FMI, a inflação na Venezuela chegou a 13.000%. Ainda que Maduro aceite, com ressalvas, a crise econômica inegável que assola o país, ele nega, por outro lado, os conflitos humanitários. Para ele, a epidemia de sarampo é uma mentira e a Colômbia está pior que a Venezuela em termos de abastecimento. “Temos mantido o nível de alimentação necessário para a população”, declarou.

Outro tema sensível para o Maduro – que ele insiste em desmentir – é a crise migratória. De acordo com o presidente colombiano, cerca de 1,5 milhão de venezuelanos atravessaram a fronteira para buscar refúgio na Colômbia. “Faz parte da campanha permanente contra a Venezuela, é uma invenção.” Maduro diz que a situação da Venezuela é “como a de qualquer país do mundo” e sustenta que em sua nação “nunca houve e nunca haverá” uma crise migratória.

Fonte: RFI

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