Mãe denuncia brigas frequentes no Ciep, em Lajeado; direção contesta versão

Supostos enfrentamentos entre alunos estariam ocorrendo diariamente, no interior da Escola Estadual de Ensino Médio Santo Antônio, no bairro de mesmo nome. A direção afirma que não ocorreram brigas graves em 2018.

0
Escola fica no Bairro Santo Antônio, em Lajeado, e atende a cerca de 450 alunos em três turnos (Foto: Natalia Ribeiro)

Uma ouvinte da Rádio Independente, que prefere não se identificar, procurou a emissora para denunciar supostas brigas entre alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Santo Antônio, no Bairro Santo Antônio, em Lajeado. Os desentendimentos seriam diários e muito violentos, segundo ela. A mulher é mãe de alunos do colégio, que já foi chamado de “Ciep”. O corpo diretivo contesta a versão da denunciante e afirma que não há registro de brigas graves em 2018.


OUÇA A REPORTAGEM


O atual ano letivo teve início no dia 21 de fevereiro. Desde então, a diretora da escola, Nadir Hartmann, garante que o clima entre alunos e professores tem sido de tranquilidade. “Não quer dizer que nessa escola não acontecem conflitos. Acontecem. Mas não como situações que tivemos no ano passado. Então está bem mais calmo e tranquilo. Está muito melhor”. Em 2017, a equipe diretiva registrou três brigas que foram consideradas graves. Nesses casos, os estudantes e seus pais foram chamados para resolver os conflitos ocorridos na área interna do educandário.

Cabe aos pais dos alunos decidir sobre o encaminhamento a ser dado para o caso, depois das conversas no ambiente escolar. “As próprias famílias fazem o Boletim de Ocorrência (B.O), se assim quiserem. Nós fazemos o nosso registro interno, de acordo com o nosso regimento, que é trabalhado com os alunos sempre no início do ano letivo… Todos são bem esclarecidos e informados sobre como a escola trabalha com relação aos conflitos. Acredito que tudo sempre fique bem às claras”, fala Nadir.

Por conta da instalação dos residenciais Novo Tempo I e II no Bairro Santo Antônio, em 2017, a escola recebeu muitos alunos novos. Parte das 288 famílias que passaram a residir nas imediações também começaram a ocupar os espaços do educandário. Na avaliação da diretora, o ano pode ter registrado mais casos de brigas devido ao acolhimento desses alunos, além da adaptação deles. “Tivemos, realmente, no ano passado situações maiores de conflitos. Sempre quando vem os novos gera algum conflito, até que as coisas se acomodem”. Isso já teria sido vencido em 2018.

Na maioria dos casos do ano passado, segundo a diretora, estavam envolvidas meninas das séries finais do Ensino Fundamental. Alunos teriam filmado as brigas e publicado vídeos nas redes sociais. O colégio só permite que o celular seja utilizado no intervalo entre as aulas. Conforme a mãe que denuncia as ocorrências, os desentendimentos ainda estariam ocorrendo – o que a direção contesta. Professores monitoram o pátio. Além disso, há circuito interno de imagens.

Trabalho de prevenção

Através do Programa Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (Cipave), da Secretaria Estadual de Segurança, questões como brigas são trabalhadas com os alunos, entre outros temas. No colégio Santo Antônio o programa já existe e, segundo a coordenação, apresenta resultados positivos. “Nosso trabalho é diário, através da justiça restaurativa. Fazemos reuniões e, se acontecem agressões, chamamos as famílias. Primeiramente nós conversamos com os próprios envolvidos, os alunos, mais as suas famílias. Havendo a necessidade de um encaminhamento, esse será feito para o Conselho Tutelar”, esclarece a diretora Nadir.

Um dos questionamentos da mãe que faz a denúncia é sobre o desdobramento dos casos. Ela diz que uma pequena parcela das situações é remetida ao conhecimento do Ministério Público. Já a diretora garante que isso compete ao Conselho Tutelar, não ao colégio. “Questões éticas, de encaminhamentos, nós não vamos divulgar para a comunidade em geral. É um trabalho que precisa ser bem sigiloso”, fala Nadir.

Muro foi pintado pelos alunos da escola, em 2017, numa atividade proposta através do Cipave (Foto: Natalia Ribeiro)

Os desentendimentos que ocorreram na escola teriam sido provocados por discussões fora do ambiente escolar, mas que acabaram sendo levadas para o espaço de educação. Para entender o contexto da região em que atuam e como pensa a comunidade local, os professores do Ciep vão à campo aplicar uma pesquisa socioantropológica, que aponta temas que devem ser abordados durante as atividades do Cipave. Esse estudo foi realizado em 2017 e será repetido este ano. Todas as ações podem ser conferidas no blog da escola, no endereço www.eeemsantoantonio.blogspot.com.br.

Mesmo em brigas fora do prédio, a escola diz que atua com ações de prevenção e debate, chamando alunos envolvidos, seus pais e responsáveis. Na opinião da vice-diretora do turno da tarde, Márcia Weiler, os estudantes identificam o colégio como um local que não combina com brigas. Ela diz que muitos argumentam, quando questionados sobre confrontos na rua, que a ocorrência “nem foi na escola”.

Morte no Ciep

Ocorrido há cerca de uma década, o óbito de um jovem no pátio da Escola Estadual de Ensino Médio Santo Antônio foi destacado pela denunciante, que diz temer que uma tragédia volte a ocorrer no espaço público. Acerca desse tema, a vice-diretora Márcia esclarece que a pessoa não fazia parte do contexto escolar.

“Não eram alunos da escola, mas pessoas externas. Depois do ocorrido, soubemos que a motivação seria passional. Os envolvidos invadiram o pátio enquanto o colégio estava fechado. Não se sabe o motivo, se foi uma emboscada ou até por uma intenção de furto. Porém, quando a escola abriu, a vítima desse crime foi encontrada no pátio”. A educadora Márcia, que atua no Ciep há 17 anos, fala a sua opinião sobre o caso. “Foi uma rixa particular, com desfecho trágico e num lugar inusitado”.

Convite à comunidade

Elaborado no ano passado, o calendário escolar de 2018 prevê uma assembleia em março com os pais e responsáveis pelos alunos. Será no próximo sábado (17), a partir das 8h30, na escola, que fica na Rua Central, Bairro Santo Antônio. Todos são convidados para discutir questões pertinentes ao educandário, bem como serem informados a respeito das normas e regras de convivência.

A escola tem 454 alunos, distribuídos nos turnos manhã, tarde e noite. Os 160 estudantes do 1º ano 5º ano permanecem no colégio das 7h30 às 15h30, já que frequentam a Educação em Tempo Integral. Aqueles que cursam do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental têm aulas só pela manhã. Durante a noite, é ofertado o Ensino Médio. São cerca de 50 professores e 10 funcionários na escola.

Relatos da denunciante

“Sou moradora do Santo Antônio, em Lajeado. Gostaria de pedir uma atenção especial da parte das autoridades de Lajeado e da terceira coordenadoria de Estrela, para a escola Santo Antônio, antigo Ciep, de Lajeado! Tenho filhos que estudam lá desde o pré e tenho orgulho dos meus filhos estudarem num “Ciep”. Só tenho medo de mais uma tragédia acontecer dentro do colégio, como já aconteceu anos atrás, com a morte de um menino dentro da quadra de esportes! As brigas são diárias, brigas com sérias agressões! Não falo só de agora, mas desde o ano passado! Será que a falha não vem d dentro da escola??? Tem brigas que acontecem fora da escola, mas as mais graves acontecem dentro do colégio, vídeos circulam pela internet e 90% são do Ciep!!! Por que a direção não repassa para as autoridades? A cada 10 brigas que acontecem, uma apenas é repassada para a Promotoria! Está na hora da direção da escola acordar, não queremos que chegue a uma situação pior. Desculpe a palavra, mas vão acabar se matando lá dentro e os responsáveis estão de olhos fechados! É uma pena porque a escola em si é muito boa, mas os responsáveis tem que acordar!”.

“… Nós pais deveríamos ter uma reunião na escola como teve anos atrás, com Polícia, Conselho Tutelar, a terceira coordenadoria de Estrela e a presença da Rádio Independente, aonde os pais tivessem um espaço para falar! De preferência à noite, que estamos disponíveis…”. NR

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui