Marido que perdeu mulher vítima de gripe, em Lajeado, precisa de ajuda para tratamento da filha

Criança de três meses sofre de hidrocefalia. Tatiane Brauwers, 32 anos, teria contraído a doença enquanto cuidava da filha, em Porto Alegre.

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Com a morte da mulher, Maico de Melo teve de se afastar do trabalho para cuidar da criança (Foto: Natalia Ribeiro)

Quem entra na casa da família Melo, no Bairro Centenário, em Lajeado, se depara com uma foto que demonstra felicidade e realização. Na imagem, pai e mãe seguram a filha, de apenas um mês de vida, que foi planejada e esperada com muita ansiedade. O cenário, porém, destoa dos acontecimentos recentes. No fim de maio, Tatiane Brauwers, 32 anos, morreu vítima de Gripe A, vírus H1N1. A suspeita é de que ela tenha contraído a doença em um hospital de Porto Alegre, onde cuidava da criança, que sofre de hidrocefalia. Agora Maico de Melo, 30 anos, busca forças para recomeçar sua vida e pede a ajuda da comunidade para o tratamento da menina.


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A bebê, que pesa seis quilos, esconde a força que tem. Maiara de Melo, que completou três meses de vida na última terça-feira (12), já passou por dois procedimentos cirúrgicos no Hospital da Criança Santo Antônio, em Porto Alegre. O primeiro foi aos 42 dias, para a colocação de um pequeno tubo e uma válvula no cérebro, a fim de drenar o líquido acumulado para outra área do corpo. “Ela vai ter uma vida normal, mas início é de muito sacrifício, porque é difícil”, diz o pai.

Mesmo com toda a expectativa da família, a cirurgia não teve um resultado positivo. O líquido acumulou na cabeça da menina, que, duas semanas depois, teve complicações e voltou a ser internada na casa de saúde da Capital. O resultado foi uma infecção na válvula, tratada com antibiótico. Em meio à intervenção médica, Maiara perdeu a mãe. A família teve de superar o luto e se voltar às necessidades da criança, que precisava refazer o procedimento cirúrgico com urgência. Quanto mais cedo for estancado o aumento e o inchaço do crânio, provocados pela hidrocefalia, Maiara terá mais chances de cura.

Foto que está na entrada da casa foi registrada quando Maiara tinha um mês de vida (Foto: Arquivo pessoal)

“Tudo o que tinha que acontecer está acontecendo. Foram feitos exames para verificar o fluxo do cérebro dela, o que está progredindo bem. Está ótima. É muito forte. Estamos muito esperançosos de que ela fique bem. Até está com previsão de alta hospitalar para o próximo sábado (16)”, conta o pai da bebê. Essa cirurgia foi uma aposta da equipe médica, através de um procedimento modelo feito em adultos e que, nos Estados Unidos, começa a ser executado em crianças. A ventriculoscopia se utiliza de uma técnica semelhante à endoscopia para a colocação de uma válvula.

Ambos procedimentos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O quadro de hidocefalia foi descoberto na 38ª semana de gestação. Como o crânio da criança atingida pela doença não pode ser pressionado, a mãe foi submetida a uma cesariana de urgência, no Hospital Bruno Born (HBB), em Lajeado.

Necessidades da família

Ainda que as expectativas sejam positivas com relação à recuperação de Maiara, e o seu retorno para casa, ela terá de ser acompanhada pelos médicos da Capital e outros procedimentos poderão ter de ser feitos. Com a morte da mulher, que ficava com a criança no hospital, Melo teve de pedir dispensa do trabalho. Ele atua como vendedor e a sua renda, que agora é a única da família, está comprometida. Reservas financeiras estão sendo utilizadas. Parentes e amigos ajudam o jovem pai, mas ele também pede a colaboração da comunidade no momento difícil.

“O fardo é muito pesado, mesmo. Com a mãe já era pesado porque era uma doença séria, uma doença grave, mas que tem solução e cura. Eu sozinho não iria conseguir levar esse fardo, mas com toda a ajuda que estou recebendo, agora até de pessoas estranhas, está ficando mais leve. Estamos firmes e fortes, em busca da saúde da Maiara, que é o mais importante agora”, destaca Melo.

Interessados em ajudar podem doar roupas, fraldas, nos tamanhos M e G, lenços umedecidos, leite Nan Confort 1 ou quantia em dinheiro. Os canais disponíveis para a entrega da contribuição são o site Vakinha Online, no endereço www.bit.ly/2HQdJmP; depósito bancário, na conta 00024622-9 / Op-001, na Caixa Econômica Federal, agência 0489, em nome de Maico Evandro de Melo, CPF 013.257.990-17. O telefone de contato do pai é o (51) 9 9539-3851.

Doença da mãe

Tatiane Brauwers faleceu no dia 25 de maio, em Porto Alegre, dois dias após o início da Campanha de Vacinação contra a gripe. Não estava no grupo prioritário para receber a imunização, já que não era mais gestante e atingiu o limite do puerpério, de 45 dias, em 27 de abril – quase um mês antes do início da ação do Ministério da Saúde. Foi a primeira morte por gripe no estado em 2018.

Segundo o marido, ela apresentava sintomas de gripe, que começaram a se manifestar após a segunda internação da criança, em meados de 20 de maio. Melo acredita que a contaminação tenha ocorrido na Capital. “Ela teve uma gripe aparentemente comum, com tosse, espirros e coriza, além da perda de voz. A doença nos enganou. Um dia antes do óbito eu estava com ela. Tinha um pouco de febre, mas que logo diminuiu. Ninguém pensava que pudesse ser a Gripe A, nem as enfermeiras que acessavam o quarto para cuidar da bebê notaram o quadro”, relata.

Menina está internada no Hospital da Criança Santo Antônio, em Porto Alegre (Foto: Arquivo pessoal)

Tatiane foi encontrada desmaiada na madrugada do dia 25, no quarto do hospital. Foi levada para atendimento médico, mas a situação já era crítica. Os pulmões apresentavam sangramento significativo e ela foi internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Poucas horas depois não resistiu e faleceu. Maiara é a única filha do casal, que estava em um relacionamento há 13 anos.

Fique atento

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (14) a prorrogação da Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe, até o dia 22 de junho. Segundo o governo federal, 11,8 milhões de pessoas dos grupos de risco ainda precisam se vacinar. Na área de abrangência da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), que atende o Vale do Taquari, 77,40% do público alvo havia sido imunizado até esta quarta-feira (13), representando 62.179 pessoas das 80.311 abrangidas na ação.

Podem fazer a vacina crianças de 6 meses a 10 anos; pessoas a partir de 50 anos; trabalhadores da saúde, professores; povos indígenas, gestantes, puérperas, doentes crônicos, pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional. A campanha iniciou em 23 de abril, sendo que a previsão inicial era de se estender até 1º junho. Foi prorrogada por 15 dias, mas agora vai até o fim do mês. NR

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