‘O vovô está dormindo’: conheça o povo que vive com parentes mortos em casa

Pouca gente gosta de falar ou pensar sobre a morte, mas, em uma região da Indonésia, os mortos participam do dia a dia da população.

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Em Toraja, passam-se meses e anos até funeral acontecer; nesse período, famílias guardam corpos em casa e cuidam deles como se estivessem apenas doentes (Foto: BBC)

Pouca gente gosta de falar ou pensar sobre a morte, mas em uma região da Indonésia, os mortos participam do dia a dia da população.

Um cheiro forte de café inebria o ar dentro de uma sala de estar repleta de painéis de madeira. Vozes ecoam dentro do espaço, que não tem móveis e possui apenas alguns quadros pendurados na parede. Veja o vídeo.

Trata-se de um ambiente intimista e acolhedor.

“Como vai seu pai?”, pergunta um dos convidados. O humor muda rapidamente. Todos olham para um pequeno quarto no canto, onde um homem idoso está deitado em uma cama colorida.

Família ainda acha que Paulo Cirinda está vivo (Foto: BBC)
Família ainda acha que Paulo Cirinda está vivo (Foto: BBC)

“Ele ainda está doente”, responde calmamente a filha dele, Mamak Lisa.

Sorrindo, ela se levanta e caminha em direção ao idoso, e o balança gentilmente.

“Pai, temos alguns visitantes para você. Espero que você não fique zangado ou se sinta desconfortável”, acrescenta ela.

Então, ela me convida para entrar no quarto e conhecer Paulo Cirinda.

Os meus olhos estão fixados na cama. Paulo Cirinda está completamente imóvel – nem pisca – embora eu dificilmente possa ver seus olhos através de seus óculos empoeirados.

A pele dele tem um aspecto áspero e cinzento, perfurada por inúmeros buracos, como se tivesse sido comida por insetos. O resto do corpo está coberto por várias camadas de roupas.

 De repente, os netos dele começam a brincar dentro do quarto e me forçar a encarar a realidade.

“Por que o vovô está sempre dormindo?”, um deles me pergunta com uma risada insolente. “Vovô, acorde e vamos comer”, outro grita.

Fonte: G1

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