Papeleiros: um dia após entrega, chuva inunda galpão de reciclagem

Grupo de recicladores de Lajeado cobra melhorias no pavilhão inaugurado pela prefeitura na última quinta-feira, 09 de maio.

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Nesta segunda-feira (13), a entrada do galpão ainda mostrava o resultado das chuvas recentes (Foto: Natalia Ribeiro)

Recebido com festa na última semana, o pavilhão para a triagem e a reciclagem dos materiais recolhidos pelos papeleiros de Lajeado apresenta problemas. Um dia após a entrega do galpão, a estrutura foi inundada pela água da chuva. A alegria pelo recebimento do espaço durou menos de 24 horas para as dez famílias que aguardam, ansiosas, para trabalhar no prédio. Elas saíram da ERS-130 em fevereiro deste ano.


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Hoje lotadas no Bairro Santo Antônio, essas pessoas têm na reciclagem o meio de sobrevivência. O barraco que antes era utilizado para a triagem foi destruído junto das casas, no antigo terreno, quando a mudança ocorreu. Na última quinta-feira (09), o Grupo Independente registrou a alegria da comunidade em receber o galpão da Prefeitura de Lajeado. O que os moradores não imaginavam é que no dia seguinte, sexta-feira (10), teriam o prédio alagado pela água da chuva que caía na data.

“Foi um sentimento de tristeza, porque o prefeito esteve aqui, entregou a obra para nós, mal acabada, sem luz, bastante água invadindo o nosso galpão, um açude se tornou o nosso pavilhão”, lamenta o papeleiro Michel Pereira Barreto, de 40 anos. Segundo ele, a água subiu quase um metro no pátio e dentro do galpão. Ocorre que ainda não há piso no local – o que pode ter facilitado a entrada da água.

Um dos recicladores, que mora nas casas que foram construídas pela administração municipal no terreno, Éder Robson dos Santos, 40 anos, diz que avisou a prefeitura de Lajeado sobre os problemas que poderiam ocorrer. “Já tinha comentado com eles outro dia atrás. Tirei fotos. Falei para eles da situação, que estava em estado de calamidade, que não daria para trabalhar. Parece que não acreditaram em nós”.

Barreto (E) e Santos (D) pedem reparos no galpão

O pavilhão é necessário no trabalho dos recicladores. Eles pretendem levar para o galpão o material que é retirado das ruas. Lá, os resíduos seriam separados, prensados e, por último, os recicláveis colocados em sacolas para venda. Enquanto o espaço não é liberado para uso, eles não conseguem trabalhar normalmente.

“A nossa pressa é para o nosso povo conseguir começar a trabalhar. Por isso que a gente gostaria que fosse entregue”, coloca Barreto. Representante dos papeleiros, Adriano Rodrigues afirma que está ciente da situação e que ela já está com o advogado do grupo, Marco Mejia. O que ele pede é o reparo da estrutura que foi entregue na semana passada. Além do conserto, resta a instalação do sistema de eletricidade, que é fundamental para a utilização das prensas na triagem.

A causa

Para o reciclador Barreto, a causa do alagamento é o ponto em que o galpão foi instalado. “A água está escorrendo bastante porque fizeram um barranco e não nivelaram o galpão. Vai desandar daqui mais uns anos. Vai cair tudo para baixo”, acredita. Coordenador da obra e também do Departamento de Agricultura de Lajeado, Carlos Kayser admite que esta pode ser a causa do problema.

“Temos de fazer um desvio de uma canalização e detectamos que a rua que dá acesso ao galpão, quando entra no terreno, está em desnível, declínio”, pontua Kayser. O coordenador estima que sejam necessários, pelo menos, oito tubos de concreto para fazer a canalização no local, partindo do início da via que dá acesso ao galpão.

Distância entre o piso e as paredes deve ser corrigida com colocação de piso e manta asfáltica, segundo a prefeitura

O nivelamento do terreno também deve ser revisto, de acordo com Kayser. “Vamos colocar material, um pouco mais pesado. Foi feita a escavação e a gente tem que colocar algo mais pesado pois a terra ficou muito mole”, diz. No interior do pavilhão, será colocado saibro e brita, também para o nivelamento. A manta asfáltica irá demorar um pouco mais, pois será aproveitado o material a ser retirado da Rua Carlos Spohr Filho, que nos próximos dias começará a receber novo pavimento.

Relembre

Em um esforço da Prefeitura de Lajeado, Ministério Público, papeleiros e seu advogado, as famílias saíram da ERS-130 em 13 de fevereiro. Por enquanto, receberam seis das dez casas prometidas – além do galpão. Há cerca de 20 anos que os recicladores viviam às margens da rodovia, sem abastecimento de água e energia elétrica. Resta a construção de algumas residências, correções no terreno e no pavilhão para que o projeto seja entregue segundo o tratado entre as partes. NR

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