‘Poucos adultos estão escutando’, diz adolescente indicada ao Nobel que criou uma greve global pelo clima

Indicada ao Nobel da Paz, Greta Thunberg, de 16 anos, falou ao G1 sobre como começou uma greve em agosto que, nesta sexta-feira, será replicada em mais de 100 países.

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Greta Thunberg, a adolescente com Asperger que começou um movimento global de greve escolar contra as mudanças climáticas — Foto: Reprodução/Instagram

Nesta sexta-feira (15), a adolescente Greta Thunberg vai repetir a mesma atividade que tem feito todas as sextas desde agosto do ano passado: faltar propositalmente às aulas em sua escola, em Estocolmo, e sentar em uma praça em frente ao Parlamento da Suécia para protestar por medidas concretas dos políticos contra as mudanças climáticas.

Dessa vez, porém, a garota de 16 anos estará acompanhada de outros estudantes do mundo inteiro: sua greve escolar semanal deve ser repetida em mais de 2 mil eventos de 123 países – no Brasil, 20 cidades têm protestos agendados.

O movimento iniciado por Greta a fez alcançar fama mundial e, desde o ano passado, a adolescente sueca já discursou em eventos internacionais como a COP24, a Conferência do Clima da ONU, em dezembro, e no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em janeiro. Nesta quinta (14), ela foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz por três políticos noruegueses.

Porém, ela afirma que a greve global não deve ter adesão de muitos adultos porque, segundo a jovem, poucos deles estão escutando as demandas dos jovens. “Eles estão ocupados fazendo outras coisas para serem reeleitos”, disse ela.

Em entrevistas, ela já afirmou que foi diagnosticada com síndrome de Asperger, uma forma de autismo. À jornalista Christiane Amanpour, da CNN, ela diz que a síndrome pode ter contribuído para que ela dedique todo o seu foco à proteção do clima.

“Tenho síndrome de Asperger e isso significa que meu cérebro funciona de um jeito um pouco diferente. Eu vejo as coisas em preto e branco, com lógica. Se eu não fosse tão estranha, então eu teria me distraído com o jogo social que as pessoas jogam”, explicou ela. “Eu sou o tipo de pessoa que não gosta quando alguém fala uma coisa e faz outra. E esse é o caso com as mudanças climáticas.”

Apesar de ser criticada por faltar às aulas uma vez por semana para protestar, Greta defende que seu movimento também faz parte de sua formação. “Meus professores na escola me contaram que existiam as mudanças climáticas e o aquecimento global, e que ele é causado pelos humanos e o nosso comportamento. Achei que era muito estranho, porque se fosse algo tão grande que ameaçasse nossa existência, então seria nossa primeira prioridade, não estaríamos falando sobre qualquer outra coisa.”

A garota de trancinhas e palavras duras

Aos eventos, a adolescente leva sempre consigo as tranças laterais que costuma usar como penteado e as palavras duras contra o que ela considera uma inação por parte dos adultos, que pode ser devastadora para as próximas gerações.

“Os adultos ficam dizendo: ‘devemos dar esperança aos jovens’. Mas eu não quero a sua esperança. Eu não quero que vocês estejam esperançosos. Eu quero que vocês estejam em pânico. Quero que vocês sintam o medo que eu sinto todos os dias. E eu quero que vocês ajam. Quero que ajam como agiriam em uma crise. Quero que vocês ajam como se a casa estivesse pegando fogo, porque está”, afirmou Greta Thunberg em Davos.

Ela diz que escreve seus próprios discursos, mas que consulta especialistas em clima e ouve a opinião de outras pessoas antes de apresentá-los publicamente.

Fonte: G1

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