Sem luz há 70 horas, estrelenses precisam alimentar mil porcos manualmente

Quase dois mil quilos do alimento precisam ser ministrados por dia. Residência, localizada em Linha São Luís, tem problemas desde segunda.

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Iria Maria Schneider e o marido precisam manusear mais de dois mil quilos de ração ao dia (Fotos: Natalia Ribeiro)

Os ventos e a chuva ocorridos na última segunda-feira (07) mudaram a rotina da família Schneider, que mora na Linha São Luís, no interior de Estrela. Criador de suínos, o casal tem de alimentar os 990 animais manualmente. Por dia, quase dois mil quilos de ração precisam ser ministrados pelos idosos. Eles são aposentados pela atividade rural, mas continuam exercendo as atividades. O caso ocorre porque estão desabastecidos pela RGE Sul Energia, concessionária que atende a localidade.


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Foram inúmeras ligações para a empresa, segundo Iria Maria Schneider, de 62 anos. “Eu até anotei três protocolos, de quando atenderam. Sempre tem aquela música dizendo CPFL ou muito obrigada por você ter ligado”. Apenas na noite desta quarta-feira (09), a agricultora ficou ao telefone durante 1h30. Contudo, nada foi resolvido. A filha do casal ainda tentou, mas por SMS, solicitar atendimento.

A ração é colocada em um silo. A energia elétrica faz com que o alimento seja transportado em canos e levado às baias instaladas dentro dos chiqueiros. São três estruturas para acomodar os cerca de mil porcos. Como não há luz, os criadores têm de alimentar os bichos com as próprias mãos. Tá sendo muito difícil, porque tratar os porcos a muque não está sendo nada fácil”, comenta a idosa. O trato ocorre duas vezes por dia. Com as máquinas em funcionamento, é feito automaticamente.

Um dos silos que distribui a ração aos animais

Para complementar a renda, os agricultores têm cinco vacas, das quais tiram leite e fazem a venda. José Eri Schneider, 66 anos, conta que a falta de luz inclusive prejudica a atividade secundária.

Negócio de picar pasto para os bichos não dá, tem que cortar tudo a mão ou passar no potreiro. Tirar leite é com o trator, então é fica impossível a gente se virar assim”. Os dois adaptaram um sistema no carro para mecanizar a retirada do leite, o que depende de energia elétrica para funcionar.

Na segunda (07) e na terça-feira (08), a ligação da RGE Sul na propriedade teve a potência da energia reduzida de trifásica para bifásica. O casal estava em férias no Litoral Norte do RS e voltou logo que o problema começou. Eletrodomésticos em casa ainda podiam ser ligados, desde que alternados. Os trabalhos no campo, porém, já estavam prejudicados. Fios de um poste vizinho foram arrancados pelo vento.

Ocorre que na manhã de quarta-feira (09), uma equipe da concessionária foi ao local e, segundo os moradores, desligou a energia sem dar explicações. “Aí nós ficamos sem. E sem resposta de quando voltaria o serviço”, fala a mulher. Desde então, toda a propriedade, que tem sete hectares, está no escuro.

Poste que teve os fios rompidos durante o vento e o temporal ocorrido na última segunda-feira, 07 de janeiro

Devido à falta de energização, cinco quilos de carne estragaram e foram colocados no lixo. Nas próximas horas, caso o abastecimento não seja restabelecido, mais alimentos devem ser inutilizados. Depois de o Grupo Independente registrar a situação no ar, por volta das 15h30 desta quinta-feira (10), equipes apareceram nas imediações. Até o início desta noite, a casa seguia sem energia elétrica. NR

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