Shopping Lajeado: trabalhadores são dispensados por oficial de Justiça

Cerca de 15 pessoas, que atuavam no estacionamento, teriam sido liberadas sem aviso prévio. A ação teve o apoio da Brigada Militar.

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Há seis meses que uma nova empresa administra o shopping, localizado às margens da BR-386 (Foto: Natalia Ribeiro/ Arquivo)

Profissionais que atuavam no estacionamento interno do Shopping Lajeado foram retirados dos cargos na última terça-feira (10), em uma ação que está sendo questionada pelo grupo. Um dos trabalhadores, que prefere não se identificar, diz que, nos seus 36 anos de vida, “nunca tinha passado por isso”. Eles não receberam aviso prévio da dispensa. Uma oficial de Justiça coordenou a transmissão das atividades, que foi autorizada pela Justiça, com o apoio da Brigada Militar (BM).


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A informação de que os trabalhadores não foram notificados previamente acerca da retirada do posto é do reclamante, que atuava no shopping há três anos. Ele estava em horário de expediente quando o fato ocorreu, por volta das 18h40, no estacionamento. “A situação foi muito incômoda, porque a gente teve de pegar as nossas coisas, botar a mochila nas costas e sair “chutado”. Foi muito humilhante”. O operador de estacionamento afirma que clientes presenciaram a situação.

No total, quatro pessoas cumpriam turno no momento da dispensa. Foram elas que avisaram aos demais colegas, que folgavam, a respeito do ocorrido. São cerca de 15 profissionais, lotados na operação e na cobrança do estacionamento interno do centro comercial. No momento em que ocorria a ação da oficial de Justiça, outras pessoas já estavam à disposição para assumir as respectivas funções.

Ainda afetado com a situação, o morador de Lajeado relatou, nesta sexta-feira (13), sua surpresa ao saber da demissão. “A oficial de Justiça pediu que nos retirássemos do estacionamento, para que outra empresa assumisse. Ficamos sem respostas, não sabíamos o que estava acontecendo. Foi um “balde de água fria”. Por mais que tenham acatado às ordens da autoridade, os funcionários não assinaram, até hoje, qualquer documento que comprove a demissão. Eles querem saber se os dias trabalhados em julho serão pagos, assim como o seguro-desemprego.

Depois da dispensa, outro empregado, que também prefere não se identificar, foi até a agência da Caixa Econômica Federal de Lajeado buscar informações a respeito do benefício do governo federal. Para o seu espanto, por mais que a taxa de contribuição do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tenha sido recolhida, não havia dinheiro depositado como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Eu queria saber como isso fica. Estamos esperando que alguém nos represente, porque, até agora, ninguém apareceu para dar uma explicação”. A mesma situação foi verificada pelos demais colegas.

Os trabalhadores têm férias vencidas há, pelo menos, três anos.Já se passaram três dias em que os funcionários aguardam alguma informação. Eles destacam que buscaram contato com a chefia, mas que nada ocorreu até o momento. Temendo perder os direitos trabalhistas, eles procuraram a imprensa.

Apuração

Conforme apurado pelo Grupo Independente, a ação realizada na última terça-feira decorre de uma decisão liminar, do diretor do Fórum da Comarca de Lajeado, juiz Luís Antônio de Abreu Johnson, a pedido da Simonsen Assessoria e Participações Ltda, atual administradora do Shopping Lajeado. A empresa está na gestão do local desde dezembro de 2017, também mediante liminar do magistrado, visto o andamento do processo de falência da então responsável Globalmalls, do M.Grupo.

A nova administração tinha o comando de diversos setores do empreendimento, menos do estacionamento – que continuava com a Globalmalls. Por conta do impasse, a Simonsen solicitou, judicialmente, a gestão desse serviço, o que foi concedido na semana passada. A troca dos empregados, segundo o juiz Johnson, não havia sido determinada pela Justiça. Ele afirma que “contratação e dispensa de funcionários é de responsabilidade de quem está administrando. A decisão judicial não manda contratar ou demitir ninguém”.

Com isso, já na terça-feira, a empresa Estapar Estacionamentos, contratada para terceirizar o serviço, assumiu o posto e colocou seus funcionários em atuação. A Globalmalls recorreu da decisão, pedido que será avaliado pelo juiz Johnson.

O que diz o Shopping Lajeado

Procurada pela reportagem, a administração do Shopping Lajeado informou que os trabalhadores envolvidos no caso não são contratados pela Simonsen Assessoria e Participações Ltda., mas pela Globalmalls. Sendo assim, não caberia aos novos gestores responder pelo inicidente ocorrido esta semana. De acordo com a coordenadora de marketing da unidade, Priscila Gomes, o impasse relacionado ao estacionamento “gerava desconforto até para os lojistas, visto que o M.Grupo, que já tinha passado pelo shopping, continuava arrecadando com o serviço”, afirma.

Priscila reconhece que os empregados não foram avisados da demissão, mas explica que se tratou de uma liminar da Justiça, que não tem a obrigação de ser anunciada. A coordenadora destaca ainda que, no momento da transmissão de função, a oficial avisou aos dispensados que eles deveriam procurar a Globalmalls para esclarecimentos. Com a troca da empresa, a direção prevê reformas no ambiente.

A polícia

Priscila Gomes destaca que polícia foi acionada pela oficial de Justiça, sem que a administração indicasse ou solicitasse o atendimento. A informação é confirmada pelo comandante do 22º Batalhão de Polícia Militar (22º BPM) de Lajeado, tenente-coronel Luís Marcelo Gonçalves Maya. Os policiais ficaram no local durante cerca de dez minutos, segundo ele. “Uma situação tranquila, com a transição terminando entre uma equipe e outra, em que o policiamento não precisou agir” diz. A Globalmalls foi procurada, mas as ligações da emissora não foram atendidas. NR

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