37 morrem em protestos contra prisão de candidato em Uganda

Bobi Wine, que é músico popstar e candidato à presidência, foi solto após ser formalmente acusado em tribunal por causar aglomerações na pandemia. Político tenta desafiar Yoweri Museveni, de 76 anos, que está há 36 anos no poder.


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Manifestantes a favor do candidato da oposição à presidência de Uganda, Bobi Wine, em torno de um homem que eles dizem ter sido morto pela polícia em Kampala, capital do país, na quarta (18) (Foto: AP)

Ao menos 37 pessoas morreram e centenas foram detidas em protestos em Uganda devido à prisão do cantor e candidato presidencial, Bobi Wine, em meio à campanha para eleição de janeiro no país da África Oriental.

Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, desafia o presidente Museveni, de 76 anos, que está no poder desde 1986.

Eleito deputado em 2017, Wine se tornou porta-voz de uma juventude urbana e muito pobre, que não se reconhece no envelhecido regime de Museveni. Ele conquistou um grande número de seguidores por suas críticas ousadas ao governo, muitas vezes por meio das suas músicas.

Ele foi detido na quarta-feira (18), durante um ato de campanha no leste do país, acusado de violar restrições a reuniões impostas pelo governo para conter a disseminação do novo coronavírus.

Sua prisão desencadeou protestos em massa, e autoridades enviaram militares à capital Kampala e áreas vizinhas para ajudar as forças policiais a dispersar os manifestantes.

Foram usadas munições letais, gás lacrimogêneo e canhões d’água para conter a agitação, e a polícia informou nesta sexta-feira (29) que 37 pessoas morreram e 350 foram detidas.

Wine foi solto sob fiança após comparecer a um tribunal e ser formalmente acusado de desrespeitar as diretrizes contra a Covid-19.

“É Museveni quem deveria estar neste banco dos réus por matar cidadãos inocentes”, afirmou o político no tribunal, ao se referir ao atual presidente.

Museveni não comentou a prisão nem os protestos e continuou sua campanha eleitoral. Segundo a ONG Human Rights Watch, o presidente reuniu grandes multidões sem ser questionado pela polícia ou pelo Exército.

Fonte: G1

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