70% pegaram auxilio emergencial de forma ilegal ou imoral no Vale do Taquari, afirma presidente da Aescon

Filhos de profissionais liberais e de empresários, além de esposas de empresários pegara o benefício, afirma Dany Petry.


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Presidente da Aescon, Dany Petry (Foto: Tiago Silva)

A Associação das Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Vale do Taquari (Aescon) e o Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat) emitiram uma nota de repúdio contra a atitude de quem tenha feito o pedido e recebido o auxílio emergencial, oferecido pelo governo federal em meio à pandemia de coronavírus, sem de fato necessitar do recurso.


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O presidente da Aescon, Dany Petry, explica que as entidades manifestam indignação com a quantidade de pessoas que usaram do benefício de forma ilegal e imoralmente. “Eu diria que realmente necessitados talvez 30% pegaram. Setenta por cento, ou de forma ilegal ou de forma imoral, pegaram esse benefício. Porque temos muitos filhos de profissionais liberais, muitos filhos de empresários, esposas de empresários se usaram desse benefício.”

“Esse benefício emergencial é só para pessoas realmente necessitadas. Ou seja, para botar comida na mesa”, entende o presidente da Aescon. “Acreditamos que muita gente pegou pensando que ficaria no anonimato”, nota Petry.

“A gente espera que o governo, com os mais variados cruzamentos que ele pode fazer, e ele tem a possibilidade de fazer isso, que as pessoas sejam pegas e recebam uma punição exemplar”, diz ele, ao citar restrições no CPF e proibição de participar de concursos públicos. “Não acreditamos que seja suficiente apenas a pessoa devolver o dinheiro.”

Confira a íntegra da nota de repúdio:

Nota de Repúdio

Em um ano atípico como este de 2020, marcado pela seca, por uma pandemia que tirou vidas, dizimou empregos e faliu empresas, e que agora provoca perdas irreparáveis para dezenas de famílias atingidas pelas enchentes, a Associação das Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Vale do Taquari (Aescon) e Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat) vêm a público manifestar seu repúdio por qualquer indivíduo que tenha se aproveitado do Auxílio Emergencial oferecido pelo Governo Federal sem de fato necessitar do recurso.

Seja Empresário, Profissional Liberal ou Familiar com plenas condições financeiras de manter seu sustento, é lamentável que tenhamos em nossa sociedade pessoas dotadas de tamanho egoísmo que, à parte de todas as campanhas de solidariedade que envolvem a comunidade em torno de um bem comum e as quais apoiamos e enaltecemos como entidades e pessoas físicas, insistem em pensar exclusivamente em si próprios, privando do benefício quem realmente depende do auxílio como sua única fonte de renda no momento.

Vale lembrar que solidariedade vem de solidez, consolidando e dando firmeza ao coletivo, o que certamente falta a essas pessoas mal-intencionadas. Exemplo de honestidade vem de casa e por isso pedimos e esperamos que nenhuma família não-necessitada recorra a esta alternativa desleal de ganhar dinheiro, ainda que permitida legalmente, porém totalmente condenável moralmente.

Ressaltamos também que aqueles que são ou foram corrompidos por R$ 600,00 não dispõem de ética ou caráter para criticar políticas e governos anteriores, atual ou futuros, pois jamais poderão ser considerados exemplos para nada ou ninguém. Esperamos que logo em breve haja uma apuração ou cruzamento de dados rigorosos para penalizar com severas restrições os indivíduos que receberam irregularmente o auxílio, impedindo que participem de concursos públicos ou que tenham acesso aos serviços e financiamentos.
Nós, da Aescon e do Sincovat, estamos unidos e ainda acreditamos nas pessoas de bem e nas boas intenções, as quais já provaram que juntos podemos acreditar e construir um mundo melhor, e por isso aguardamos justiça contra aqueles que mancham e comprometem essa realidade.

Reforçamos que a relação completa dos beneficiários do Auxilio Emergencial está disponível para consulta pública no site www.portaltransparencia.gov.br, onde também é possível registrar as denúncias de irregularidades. Se cada um fizer a sua parte, passaremos por este ano de cabeça erguida e ainda mais fortes para reconstruirmos, lutarmos e superarmos todos os desafios que 2020 nos impôs.

 

 

 

3 Comentários

  1. Concordo e assino junto tudo o que foi dito. Agora, quanto aos que receberam de forma legal pelo preenchimento dos requisitos, mas de forma imoral por sabida condição financeira, apenas um boicote da própria sociedade será possível, pois de benefícios imorais o Brasil é exemplo (auxílio moradia para juízes e promotores que tem mansões, coberturas, casas na praia, fazendas, lembram disso?)

  2. Acredito que um exemplo errado não justifica fazer o mesmo. A imoralidade não é só dos governantes e está claro por essa reportagem. Deveria ser publicado o nome de todos que pediram e sacaram esse valor. Mostrar quem está fazendo errado e se esconde por trás do anonimato.

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