A autossabotagem faz parte do comportamento de quem sofre da Síndrome do Impostor

Essa é uma desordem psíquica que afeta a percepção da pessoa sobre as suas conquistas pessoais


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Foto: Ilustrativa

Você já se sentiu como se fosse uma fraude? Você acha que suas conquistas são uma questão de sorte, mais do que de habilidades? Você acha fácil aceitar elogios? Fica arrasado com críticas, ainda que construtivas, vendo-as como evidência da sua incompetência? Você se martiriza por erros insignificantes no trabalho? Quando é bem-sucedido em alguma coisa, sente secretamente que enganou todo mundo?

Se as respostas forem afirmativas, você pode ter traços ou sofrer da síndrome ou experiência do impostor. No livro “A síndrome do impostor – como entender e superar essa insegurança”, Sandi Mann, que é psicóloga e professora na Inglaterra, conta que, ao ouvir o conceito pela primeira vez, na pós-graduação em psicologia, achou que tinha desvendado seus pensamentos secretos, ou seja, ela tinha traços de quem sofria dessa síndrome. Depois, no atendimento de pacientes, percebeu que essa era queixa que aparecia com frequência. E concluiu que trata-se de algo que quase todo mundo passa, em maior ou menor grau.

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Apesar de não ser considerado um transtorno psicológico pela OMS, esse acometimento ganha cada vez mais espaço nos estudos de saúde mental. A síndrome do impostor ou experiência de impostor é uma desordem psíquica que afeta a percepção da pessoa sobre as suas conquistas pessoais. Ela tem dificuldade de reconhecer que as oportunidades que aparecem são resultados dos seus esforços, de sua capacidade técnica.

Quando obtém sucesso, tem a sensação de que tudo foi sorte, ou, quem sabe, uma bênção do Universo. Quando elogiada, coloca em dúvida o reconhecimento que lhe é atribuído. Isso porque tem o entendimento de que é uma fraude e acredita que só ocupa a posição atual porque teria enganado os outros acerca da sua inteligência.

Para provar seu valor, a pessoa que tem esse sofrimento psíquico precisa fazer tudo muito certinho. Teme o fracasso e entende que a imperfeição poderia contribuir para a descoberta de que ela poderá ser vista como falsa. “Imagine um artista pintando um quadro. Enquanto trabalha, pergunta-se lá no fundo porque está fazendo isso, pois sente que não tem um verdadeiro talento. Mesmo assim, faz uma exposição numa galeria famosa e vive confortavelmente da venda dos seus quadros, mas acha realmente que não tem todo esse talento e tem constante medo de que tal deficiência seja descoberta e todo o seu sucesso desapareça na poeira. Por isso, suas obras têm que ser perfeitas; qualquer coisa menos do que isso reforçaria a sensação de que é um lixo. Com toda probabilidade destruirá qualquer trabalho que não satisfaça sua alta exigência; livrando-se assim dessa prova de sua “falta” de talento e criatividade”. (p.30)

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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