“A banca é minha vida, a minha história”, diz proprietária da Banca Central de Lajeado

Estabelecimento é um dos únicos da área que permanece aberto no município


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Para manter a banca em funcionamento, a empresária teve que se reinventar e abrir o leque de opções dispostas no balcão (Foto: Artur Dullius)

O avanço de um mundo digitalizado tem afastado cada vez mais a população dos livros, jornais e revistas em papel, especialmente entre os jovens. A transformação tem se tornado um desafio a mais para quem depende da venda de periódicos. É o caso da Léia Bohrer da Rocha, que há 24 anos mantém um estabelecimento deste ramo em Lajeado.


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A história da Banca Central iniciou em frente à Igreja Matriz, nas proximidades da Prefeitura. Depois de quatro anos, ela passou a atender ao público em um ponto na esquina da Avenida Benjamin Constant e a Rua Santos Filho, onde permanece até hoje.

Conforme a proprietária, no começo eram cerca de cinco bancas na cidade. Hoje, apenas três delas permanecem em funcionamento. “Há 24 anos eu batalho, luto e continuo persistindo, mesmo em meio a tantas dificuldades. Acho que é muito importante que todas as pessoas tragam seus filhos e jovens para verem o que é o mundo no papel”, relata.

Léia explicou ainda que a venda não é mais a mesma. No entanto, ela garante que a procura tem aumentado recentemente. “Os pais ultimamente estão reavaliando o uso do celular com as crianças. Então, eles estão trazendo os pequenos para voltar a ter o contato com os gibis e materiais de atividades. Vai da demanda de cada pai ver a realidade do seu filho, ver a necessidade deles adquirirem conhecimento”, afirma.

Mas, para manter a banca em funcionamento, a empresária teve que se reinventar e abrir o leque de opções dispostas no balcão. “A gente sempre trabalhou mais com livros, revistas e cigarro. Agora não, hoje eu tenho brinquedos e outros itens. Existe uma necessidade maior de diversificar, porque se não a gente não consegue manter a porta aberta”, lembra.

Atualmente, os itens mais procurados são a revista Veja, a revista Caras, além de revistas femininas, gibis e álbuns de figurinha. “Mas o nosso carro chefe são os coquetéis. São as palavras cruzadas, caça-palavras. A maioria das pessoas, principalmente as demais idades, adquirem muito”, pontua Léia.

Inicialmente, o estabelecimento permanecia aberto cerca de 14 horas por dia, todos os dias da semana. Hoje, no entanto, a banca funciona das 7h30 às 18h (sem fechar ao meio-dia) e não atende mais aos domingos e feriados. “O maior movimento ocorre normalmente pela manhã e no final do dia. Sábado é o dia que mais recebemos clientes”, descreve.

Sobre o futuro, a proprietária garante que, se depender apenas da sua vontade, a Banca Central ainda tem vida longa. “Vou fazer de tudo pra ela continuar atraindo mais clientes e buscando este conhecimento que faz parte da história da humanidade. A banca é minha vida, a minha história. Eu continuo sempre persistindo e insistindo”, conclui.

Texto: Artur Dullius
reporter@independente.com.br

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