A criança que um dia fomos ainda nos habita

Nosso psiquismo não tem idade cronológica. Logo, somos uma mistura de gerações


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Foto: Pexels / Ilustrativa

O psicanalista Donald Winnicott tem uma frase que diz que “nenhum adulto é adulto o tempo todo, isso porque as pessoas não têm apenas sua própria idade; elas têm, em certa medida, todas as idades, ou nenhuma idade”.

O que essa afirmação quer dizer é que, diferentemente do que acontece com o nosso desenvolvimento biológico, nosso psiquismo não tem idade. Assim, a criança que um dia fui ainda me habita e está sempre se confundindo com o adulto que sou hoje.

Não há nada melhor para observar isso do que quando somos frustrados em algum aspecto de nossa vida ou quando nos sentimos ameaçados. Nesses momentos, a criancinha que vive em nós tende a dar as caras: ela chora, grita, faz birra, se enfurece.

Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga

Vou dar um exemplo: se lá na infância você sofreu bullying na escola, pode imaginar que a questão esteja superada, afinal, já se passaram tantos anos. Mas basta um colega de trabalho fazer uma piada com algum aspecto que remeta àquela experiência antiga que você vai logo se exaltando, reagindo de maneira exacerbada. Por quê? É bem provável que aquela vivência não foi bem elaborada, então sempre acaba retornando e fazendo sofrer.

Nosso psiquismo não nos garante uma evolução. Dessa forma, estamos sempre sujeitos a retornar a estágios anteriores de nossa vida mental. Então, quando se deparar com reações inesperadas, suas ou de seus colegas, procure escutar a criança que mora ali, é ela que está querendo falar.

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