A dedicação dispensada às dúvidas pode ser o diferencial no nosso desempenho profissional

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: Divulgação / Ilustrativa

Nesta terça, tive consulta com um médico que atende em Porto Alegre. Fui procurar um especialista recomendado por um amigo meu. Na área da saúde, o marketing que mais funciona é o “boca a boca”, ou seja, você se sente mais seguro para agendar um horário com aquele profissional referido por um amigo, um conhecido ou uma pessoa que você respeita. No meu consultório de Psicologia não é diferente.

O que quero dizer é que, antes de ouvir o depoimento do meu amigo, nem sabia da existência desse profissional, mas fui encorajada para o atendimento. Saí de lá pensativa acerca da postura sábia e humilde daquele homem, um japonês de fisionomia delicada e fala mansa. Apesar de todas as pesquisas pelas quais deve se debruçar todos os dias, estava em dúvida acerca dos possíveis efeitos colaterais de um medicamento. E, por conta disso, na minha frente, por cerca de 15 minutos, pesquisou, imprimiu textos e leu sobre o assunto.


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Poderia parecer insegurança no procedimento clínico, se a gente caísse na ideia de que o especialista deve ter a resposta para as mais diversas circunstâncias, o que é impossível. Até mesmo porque, a cada dia, surge um novo medicamento, uma nova pesquisa, uma nova forma de adoecer. Contudo, ele poderia ter disfarçado, dando explicações gerais, ou mesmo ter feito fisionomia de quem está seguro diante da sua interpretação. Poderia, por exemplo, ter prescrito um exame de sangue que fosse, assim ganharia tempo para se apropriar do tema. Mas, não foi o que ele fez. Sem qualquer mal-estar, deixou claro que precisava estudar, inclusive agradeceu pela oportunidade que eu estaria dando a ele.

Nós, os psicólogos e psicanalistas, buscamos orientações com outros profissionais mais experientes, a quem chamamos de supervisor, sempre quando precisamos discutir um caso clínico. Acredito que na Medicina também tenha procedimento semelhante. O que quero dizer com isso é que a gente nunca vais saber tudo, a gente vai passar a vida tendo dúvidas. No entanto, especialmente se a tua decisão ou procedimento irá interferir na vida do outro, precisas ir atrás de convicções. A bem da verdade, isso também vale para qualquer atividade profissional. Se você vai desempenhar uma tarefa, se não compreendeu uma parte do processo, pergunte. Encerro com uma frase do filósofo Aristóteles: “O ignorante afirma, o sábio dúvida, o sensato reflete”.

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