A dor ajuda a revelar a verdadeira companhia das pessoas amigas

Confira o comentário da psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: Ilustrativa / Divulgação

O escritor Leandro Karnal disse, certa vez, que muitas pessoas ao nosso redor se dizem nossas amigas, no entanto, poucas verdadeiramente o são. Grande parte é invejosa e está ao seu lado para competir e não para ajudar. Ele refere que você consegue comprovar isso se fizer um teste. Diga a um amigo que você está com a vida ganha, que fechou um negócio muito rentável e que, de agora em diante, tudo irá de vento em popa. Nessa hora, você deveria observar a reação do outro. Um amigo verdadeiro irá vibrar com você e isso não é uma questão que precisa ser verbalizada, você sentirá.


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Não aprecio muita a ideia de que o outro está sempre à nossa espreita para nos vencer, ou até mesmo para agourar as nossas sortes ou conquistas. Contudo, a reflexão de Karnal tem as suas verdades. Por melhores pessoas que sejamos, nem sempre conseguimos lidar tão bem com as benesses alheias. Afinal, cada um de nós tem em si alguma dose de inveja, ou de cobiça. O importante é não alimentar esse sentimento. Quando ele aparece, você deve puxar suas próprias orelhas, reverter o desconforto que está nos seus pensamentos para que emane boas vibrações ao outro. Isso sim dará a você uma sensação de bem-estar, leveza e alegria.

Se, como diz Karnal, os verdadeiros amigos se manifestam quando estamos fazendo sucesso, também é preciso considerar que, no momento da dor, muitas pessoas se revelarão para nós. Quem já passou por uma dificuldade maior na vida sabe do que estou falando. Não é só sobre oferecer ajuda, é mais do que isso. É ser verdadeira companhia. É aquela presença que diz a palavra certa, que escuta com respeito e que não está com você para cumprir um papel social, um protocolo. Ela fica ao seu lado porque entendeu que sua presença pode fazer bem a você. Refiro-me àquela pessoa que, com o passar do tempo, nem lembra mais que ofereceu ajuda. E, mais do que isso, você não fica com a sensação de que está com dívidas, ou devendo favores. Trata-se de uma presença desinteressada, gentil e sincera.

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