“A dor vai se transformando em força”, diz mãe do menino Lázaro que dá nome para nova UTI pediátrica do HBB

Nesta sexta-feira (10) fazem nove anos desde seu falecimento após passar os quatro anos de sua vida hospitalizado. A nova sede do local foi inaugurada nesta semana


0
Mãe lembra do filho com muito carinho e saudade ao olhar as recordações (Foto: Gabriela Hautrive)

Mesmo ainda sem entender o que estava acontecendo, ele precisou ser forte, e desde os primeiros dias de vida aprendeu a lutar, e mais do que isso, aprendeu a ensinar. Ensinar sua família e todos aqueles que estavam à sua volta, que tudo seria diferente a partir de seu nascimento. Essa é a história de Lázaro José Dresch Kamphorst, que nasceu no dia 19 de março de 2009 e faleceu em 10 de junho de 2013, após passar seus quatro anos de vida dentro do leito quatro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Bruno Born (HBB), em Lajeado. Ele faleceu por conta de uma doença degenerativa sem cura que nunca foi diagnosticada.

Nova UTI foi inaugurada na última terça-feira (7) (Foto: Caroline Silva)

OUÇA A REPORTAGEM


Mãe do menino, Camila Dresch (Foto: Gabriela Hautrive)

Nesta sexta-feira, dia 10 de junho de 2022, completam-se exatos nove anos de sua partida. Na terça-feira (7), quando foi inaugurada a nova UTI pediátrica do HBB, ele foi homenageado, tendo seu nome dado para o novo espaço. A mãe do menino, Camila Dresch (33), lembra que o filho chegou na UTI com apenas 1 mês e cinco dias, e até seus dois anos de idade, ela passava 24h por dia ao seu lado. A partir dos dois anos, junto com o pai da criança, Willian Kamphorst, passaram a dividir os turnos dentro da casa hospitalar, pois entenderam que a situação era delicada e que de alguma maneira, precisavam seguir a vida do lado de fora, mas sem desamparar o filho. “Eu sempre digo para as pessoas que nós fomos processando a história ao longo dela, e hoje já fazem nove anos, então a dor vai se transformando em força a partir do momento que tu escolhe o que vai fazer com essa dor.”

Durante quatro anos a vida de Lázaro foi no hospital (Foto: Divulgação)

A UTI pediátrica do HBB é lembrada com muito carinho e gratidão por Camila, que celebra o acolhimento que sua família sempre recebeu no local. “A gente conhece uma UTI que é família, que é casa, é empenho, e dedicação. Durante quatro anos foi a nossa família, porque a nossa verdadeira família não podia estar ali junto vivendo isso, éramos eu e o pai do Lázaro. Se eu consegui passar, se nós conseguimos passar por isso, é porque nós tínhamos um hospital e seres humanos, pessoas do nosso lado nos dando todo esse suporte para que esses quatro fossem o menos pesados possível”, conta.

 

Por conta de toda a história, o fato da UTI levar o nome de Lázaro, tem um significado indescritível para ela. “Uma UTI linda, que se preocupa com a pessoa, além da doença, tem muita coisa bacana, e estar falando do Lázaro como símbolo dessa luta, representando tantas crianças que ainda vão se curar através dessa UTI, isso é uma honra, uma alegria gigantesca, eu nem consigo processar ainda direito tudo o que isso representa”. O legado que o menino deixou e toda a luta que liderou, hoje serve de inspiração a outras famílias, segundo avalia Camila: “Ter essa Visibilidade e poder inspirar outras mãe também a lutarem e cuidarem de seus filhos com essa perseverança e amor, isso é inexplicável”.

Camila tem outros dois filhos, Léo e Aurora, de 7 e 4 anos, respectivamente (Foto: Divulgação)

 

A doença sem diagnóstico e a luta pela UTI

Camila lembra que Lázaro internou com problemas respiratórios e até então se imaginava que seria possível a realização do tratamento para logo o menino está bem. “Mas não foi isso o que se apresentou, ele foi agravando, o hospital sempre nos dando todo o suporte de diagnóstico, o hospital sempre nos dando todo o suporte, incessantemente e incansavelmente querendo ter esse diagnóstico para tratar da melhor forma, e apesar de toda a pesquisa em parceria com o Hospital de Clínicas em Porto Alegre e outros países do mundo, Espanha e Alemanha, nós nunca obtivemos um diagnóstico”, conta.

O menino, que dependia de aparelhos do hospital para viver, com o passar do tempo foi perdendo os movimentos do corpo por conta de atrofias muscular e cerebral, e aos seis meses já se encontrava em estado vegetativo. Ele foi símbolo da campanha encabeçada pela família para que a UTI pediátrica do HBB não fechasse na época devido à mudança na lei federal que passou a exigir a separação física da unidade neonatal. Foram feitas diversas mobilizações e foi possível obter cerca de 30 mil assinaturas para manter o local de portas abertas.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui