A eleição norte americana e o futuro das relações Brasil e EUA

O Brasil precisa construir uma aproximação institucional com o governo norte americano.


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Grupo Independente Presidente do Codevat, Cíntia Agostini ( Foto: Caroline Silva)

Aqui no Brasil já estamos nos preparando para fechar o ano e para os novos e renovados prefeitos assumirem. Já nos EUA, que tiveram seu processo eleitoral antes do nosso, o atual presidente ainda resiste em aceitar a decisão das urnas e indica que essa disputa vai acontecer até a metade do mês de dezembro, quando os colegiados efetivamente votam em seu Congresso. Fato é que o mundo já aceitou que Joe Biden venceu as eleições da ainda maior potência mundial, influente econômica e geopoliticamente.


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Obviamente, um retorno de um democrata à presidência dos EUA traz mudanças na condução do país e nas relações com as outras sociedades no mundo. Em se tratando especificamente do Brasil, temos alguns aspectos que são relevantes: durante o último havia uma discussão de um acordo de livre comércio entre os países, ou seja, um acordo de redução de algumas barreiras tarifárias e não tarifárias, mas que até o momento não se consolidou como uma versão adequada das relações bilaterais e isso pode levar muito tempo ainda. O ingresso do Brasil como membro na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é um aspecto que todos nossos governantes defendem há muito e que o atual presidente Trump sinalizou como positiva sua recomendação à entrada, mas que também não se consolidou.

Os temas ambientais são um dos aspectos mais salientes das relações futuras dos EUA com o Brasil. Foram, inclusive, motivos de discussão em debates e entrevistas do presidente eleito Biden. Em determinado momento houveram ameaças de retaliações econômicas, mas isso ocorreu no auge da campanha eleitoral, no qual os candidatos precisavam distinguir suas plataformas de governo. Agora, tanto o tema ambiental como as tecnologias como a 5G e as relações comerciais com o mundo serão revisitadas pelo governo Biden e que se propõem retomar uma visão multilateral de inserção econômica mundial, sem nacionalismos exacerbados.

O Brasil precisa construir uma aproximação institucional com o governo norte americano, demonstrar seu interesse nas relações com o país e construir pontes para que consigamos avançar em agendas que nos são tão fundamentais. Para tanto, iniciamos pela disposição de aproximar e na sequência no avanço efetivo das relações econômicas e políticas entre os governos.

Cíntia Agostini, economista e presidente do Codevat

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