A empatia coletiva gera sentimentos de esperança

Franz Kafka, um dos escritores mais influentes do século XX, escreveu que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana


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Foto: Ilustrativa

Franz Kafka, um dos escritores mais influentes do século XX, escreveu que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Acredito que ele devia dizer isso pensando no quanto a soma de esforços é capaz de alterar situações de sofrimento. Na última quarta-feira, uma mobilização social, liderada pelo Grupo Independente, mostrou a veracidade dessa frase kafkaniana. Em menos de 12 horas, foram arrecadadas três toneladas de alimentos, produtos de higiene e limpeza. Quando a gente vê uma movimentação dessas, é capaz de entender que o ser humano tem em si uma poção mágica de amor ao próximo.

As doações vieram de ricos e pobres, de patrões e empregados, de gente com a vida ganha, de gente com uma situação mais tranquila e de gente que ainda precisa lutar para sustentar a família. Essas pessoas olharam para dentro do seu coração e entenderam que, com a sua ajuda, poderiam pegar a dor de alguém no colo. Me digam vocês se isso não enche a gente de esperança?! Tantas vezes, por conta das más notícias que falam das partes feias do mundo, ficamos desconfiados e passamos a duvidar da bondade humana. Contudo, quando acontece uma arrecadação tão significativa, é tempo de acreditar. Como canta Gonzaguinha, na canção “Nunca pare de sonhar”: “Fé na vida, a fé no homem, fé no que virá. Nós podemos tudo, nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será.”

Ernesto Faria de Andrade, 38 anos, solteiro. Trabalha como açougueiro num supermercado da cidade. Veio do Bairro Jardim do Cedro. Trouxe sua contribuição e disse que estava fazendo isso também em nome da sua família. Ele mora com os pais José Rodrigues e Nélia Faria e com a mana Domingas. Residem em Lajeado há sete anos. Vieram de Fontoura Xavier.

Lindomar da Silva e a esposa Maristela residem no Bairro São José. Eles ficaram 20 dias abrigados no Parque do Imigrante quando aconteceram as últimas cheias do Rio Taquari. Contaram que receberam muita ajuda e, como agradecimento, quiseram trazer uma doação para outras famílias que passam por dificuldades.

Caminhando a pé, do bairro Montanha, Seu Jorge Elodir Freitas da Silva, de 59 anos, também trouxe uma sacola com mantimentos. Disse que ele e sua esposa, a dona Sueli, já passaram por dificuldades. Hoje, com a vida mais tranquila, entendem que podem ajudar outras pessoas que não estão passando por um bom momento.

Simpática, sorridente, Dona Valdeci Kern comentou que reside no Bairro Moinhos D’Água. Veio especialmente para o centro para participar da programação da Independente. Com 54 anos de idade, casada com Jorge Valmor Kern, mãe do Ismael e do Samuel, ela disse que já foi pobre, passou necessidades, por isso, consegue se colocar no lugar de quem está sofrendo.

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

 

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