A falta de notícias de uma pessoa querida potencializa a dor da saudade

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: Divulgação / Ilustrativa

Reflito hoje sobre uma história que li no livro “Em busca da Felicidade”, do médico J.J. Camargo. Nesse texto, intitulado “Nunca deixe uma mãe sem notícias”, ele conta a história de uma senhora que vivia num lar de idosos e que repetia para todos que o seu filho, funcionário de uma cooperativa da cidade, teria ido comprar um doce no mercado e que nunca mais teria voltado.


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Certo dia, uma pessoa que trabalhava como voluntária na casa resolveu dispensar atenção especial para a velhinha, indo à procura do seu filho. Quando chegou na cooperativa que a mãe referira como sendo o emprego do filho, descobriu que, nos últimos 20 anos, nenhum Agenor teria sido funcionário de lá, o que sinalizava que, bem possível, o filho talvez nem vivesse mais ou, por alguma razão, teria deixado de ir visitar a mãe.

Quando a mulher, a voluntária, viu que ninguém se lembrava do tal Agenor, resolveu ir ao mercado para comprar o tal doce para levar ao asilo. Assim que a velhinha viu o pote de doce, caiu em prantos e perguntou:

– Você encontrou meu filho? Ele está bem? Tem boa saúde?

A outra mulher então disse que o filho estava muito bem sim, que teria mandado entregar o doce e que estava saindo para uma viagem a trabalho. Ficaria um tempo no Mato Grosso e, assim que juntasse um bom dinheiro, iria voltar para ver a mãe. Desde então, a velhinha teria ficado mais tranquila e repetia pelos corredores:

– Só de saber que ele está bem, já me tirou um peso do coração, repetia pelos corredores.

J.J. Camargo então conclui: “Com o cérebro confuso, mas afeto intacto, dona Ana só precisava de notícia, alguma notícia, qualquer notícia se mais não houvesse”. O texto é emocionante, fala do amor materno, que não se esvai nem mesmo quando a mãe tem a sua história de vida afetada pelo esquecimento.

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