A influência da cultura africana na cultura gaúcha

Historiador e coordenadora de grupo de danças analisam a participação do negro na Revolução Farroupilha e os traços da cultura negra na cultura gaúcha.


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Lisiane dos Santos e Gilson dos Anjos (Foto: Tiago Silva)

Na Semana Farroupilha, momento em que o Rio Grande do Sul lembra e homenageia a Revolução Farroupiha (1835-1845), um dos aspectos que podem passar despercebido neste momento histórico é a participação do homem negro no conflito contra o Império. Um dos grupamentos lendários da revolução é o chamado Corpo de Lanceiros Negros, formado por cerca de 400 escravos que lutavam em troca da liberdade.

Conforme o historiador Gilson dos Anjos, presidente do Fórum Apajó Vale do Taquari, “se a gente for pensar, quem é o sujeito campeiro? É um sujeito negro, ele que realmente realizava os trabalhos”. O professor diz que, nas grandes fazendas e estâncias do Rio Grande do Sul daquela época, a mão de obra era constituída pelo trabalhadores negros.


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Neste contexto e pós-revolução, a cultura africana deixou traços no que se percebe como cultura gaúcha atualmente. “O negro sempre esteve inserido, na cozinha na musica. O negro não é só samba”, afirma Gilson. Ele cita, por exemplo, que a polenta italiana no Rio Grande do Sul nasce como o angu na senzala, produzida a partir do milho socado.

O historiador lembra ainda do mocotó, quibebe, mocotó e feijoada, “pratos que nasceram praticamente dentro da senzala”, e da utilização de cortes de carnes não tão nobres, componentes, por exemplo, do carreteiro de charque.

Apesar desse rastro histórico perceptível, a coordenadora de grupo de danças afro-brasileiras Identidade, Lisiane dos Santos, nota que “a cultura afro aqui no Rio Grande do Sul se perdeu muito”, e muito do que se tem registrado foi feito pelo branco. O seu grupo no centro de cultura tem como um dos objetivos promover um resgate e, desde o ano passado, trabalha em uma pesquisa da relação entre as culturas gaúcha e afro.

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