A Languiru vai pagar o valor das rescisões, mas entrar na Justiça atrasará ainda mais o processo, afirma Paulo Birck

“Agora a conta está aqui para pagar”, critica o atual presidente liquidante da empresa sobre fala de Dirceu Bayer em assembleia nesta terça-feira


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Foto: Reprodução

Após realizar assembleias ordinária e extraordinária com os associados, o presidente da Cooperativa Languiru, que está em liquidação, Paulo Birck, concedeu entrevista coletiva na Associação dos Funcionários da empresa, em Teutônia, na tarde desta terça-feira (26). Em crise financeira e em processo de reestruturação, a empresa fechou 2023 com R$ 469 milhões de prejuízo, sendo R$ 168 só de juros. “A dívida, o operacional, ficou negativo em R$ 300 milhões”, explica.

Outro dado que ele trouxe foi de que R$ 122 milhões deveriam ter sido lançados nas contas de 2022 pela antiga gestão, mas foram deixados para 2023. “O prejuízo de 2022 foi de R$ 243 milhões e não os R$ 123 milhões apresentados na assembleia do ano passado. A gente fez esse trabalho de apresentar os números como eles são e mostrar para o associado que esses números só chegaram a 2023 com esse resultado negativo, por causa de uma má gestão, que lá trás não tomou as decisões que deveria ter tomado, que não teve cautela de financiamento, que simplesmente achou que só pegar recursos do banco ia resolver a situação da cooperativa e não é isso. Hoje a gente enfrenta essa situação e de cabeça erguida”, pontua.

Em função desses problemas financeiros, a cooperativa entrou em processo de liquidação, uma condição que a favorece a tentativa de dar a volta por cima, em ações que também incluem o enxugamento dos negócios para ganhar fôlego – no auge, a dívida passou de R$ 1 bilhão. O processo de liquidação é de um ano, mas a empresa pretende prorrogar por mais um, até julho de 2025. “A gente vai usar o tempo máximo para equilibrar tudo o que é preciso”, destaca Birck.

A Languiru está desde maio sem recurso novo no seu dia a dia, afirma o presidente liquidante. A empresa já pagou mais de R$ 18 milhões em questões trabalhistas, destaca, devido à redução do seu quadro funcional. “Temos que equilibrar, graças a Deus a gente já tá conseguindo”, valoriza.

Apesar disso, faltam ser quitados R$ 10 milhões do total de R$ 28 milhões previstos para ex-funcionários. Resta uma pequena parcela de janeiro, além de fevereiro e março, que seriam as fatias mais altas, explica o dirigente.

“A cooperativa está em dificuldades. Na medida do possível a gente está honrando”, frisou. “Estamos atrasados na parcela, um parte pequena de janeiro, a parcela de fevereiro e a de março, que são ainda as mais altas do valor das recisões, mas a Languiru vai pagar o valor das rescisões. Podem ficar tranquilos”, assegura. “Vai demorar um pouquinho mais, mas espero que eles entendam”, suplica. “Não adianta entrar com ação judicial que vai prejudicar ainda mais todo o processo”, pondera. “Se a cooperativa e o associado estiverem unidos, nós temos chance”, afirma, sobre superar as dificuldades.

Nesta terça-feira, os associados aprovaram a criação de uma comissão para fazer a reforma estatutária da Languiru, que deve ser apresentada na assembleia de setembro.

O plano de pagamento aos credores deve ficar pronto em abril, para ser lançado em junho. “Não adianta lançar o plano de pagamentos se eu tenho prejuízo”, diz o liquidante, em relação à demora neste material. “Tem relação direta com tudo isso, e a gente está alinhando”, reforça.

Birck comemora que algumas operações começaram a andar, como os setores de frango e lácteos, o que gera receita extra para a cooperativa. A venda do frigorífico de suínos para a JBS é aguardada com expectativa. Com o dinheiro, a Languiru pretende pegar parte do valor para investir e parte para o plano de pagamento aos credores.

Dirceu presente

Dois ex-presidentes acompanharam a assembleia. Um deles foi Dirceu Bayer, que liderou a empresa no período em que os negócios chegaram ao pico negativo, por isso ele é muito questionado e foi vaiado por associados nesta manha, na Associação dos Funcionários, enquanto fazia uma defesa da sua gestão.

“A vinda do Dirceu nos pegou de surpresa. Não imaginava a vinda dele”, diz o atual presidente, que lamenta que o ex-dirigente não tenha ficado na parte da tarde. “Ouvir o ex-presidente dizer que esses investimentos eram necessários, agora a conta tá aqui para pagar”, lamenta, sobre as decisões passadas que levaram a companhia ao estágio atual.

Auditoria

A auditoria investigativa continua ocorrendo. É esperado para o mês de junho a apresentação dos resultados. Os auditores investigam as contas de 2018 a 2022, um trabalho que relatam como complexo. Caso sejam comprovadas irregularidades, há possibilidade de levar os responsáveis à Justiça.

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