A origem dos restaurantes

O La Grande Taverne de Londres, fundado em Paris, em 1782 criou o padrão do restaurante moderno ao combinar 4 pré-requisitos essenciais: um salão elegante, garçons bem treinados, uma adega bem escolhida e uma cozinha requintada.


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Foto: Ilustrativa

Há duas versões, ambas em Paris. A primeira diz que o primeiro restaurante surgiu em 1765, aberto por um vendedor de sopa de sobrenome Boulanger. Ele teria sido o primeiro a anunciar a venda de caldos restauradores, ou restaurantes, assim chamados porque supostamente restauravam a saúde de quem tinha problemas de digestão. A segunda versão, da pesquisadora Rebecca Spang, do London College, atribui o primeiro restaurante ao francês Roze de Chantoiseau, em 1766.

Antes se comia em estalagens, tabernas e hospedarias. A diferença é que, apesar de esses lugares também venderem refeições para quem batesse em suas portas, eles não seguiam o conceito de apresentar um cardápio em que o cliente pudesse escolher o prato que desejasse.

O La Grande Taverne de Londres, fundado em Paris, em 1782 criou o padrão do restaurante moderno ao combinar 4 pré-requisitos essenciais: um salão elegante, garçons bem treinados, uma adega bem escolhida e uma cozinha requintada.

No Rio de Janeiro, após a chegada da Família Real Portuguesa, havia pratos de doces e salgados vendidos pela rua a todos. Fora disso, a solução para a fome longe de sua cozinha era “tomar comida” das casas particulares ou “comer de pensão”.

Para os 79 mil habitantes urbanos, sendo apenas 46 mil livres do Rio, a vida se dava à luz do dia e a principal refeição variava conforme a ocupação do dono da casa: os empregados públicos almoçavam às 2h da tarde, depois de fechadas as repartições; o brasileiro tradicional comia ao meio-dia, e o negociante às 13h.

As confeitarias serviam doces e, de quebra, algumas refeições, mas o precursor daquilo que se convencionou chamar de restaurante eram as casas de pasto. Não tinham nome nem nada. Sabia-se pela boca do povo ou vinham anunciadas em almanaques, jornais ou cartazes, com o simples endereço ou nome do proprietário.

Em 1809, o primeiro anúncio: “José Narciso, mestre cozinheiro, faz saber ao respeitável público que no Catete, junto à venda do Machado, se abriu uma nova casa de pasto, na qual dá mesa redonda a 800 réis cada pessoa. Quem a quiser separada para jantar, tem quarto fechado, havendo na dita casa boas massas, salsichas, e tudo mais com muito asseio”.

Eram um negócio promissor, mas em 1844, de acordo com o censo da cidade, as casas de pasto não chegavam a dez. Serviam dois tipos de refeição: “pratos de colher” ou “pratos de garfo”. Os de colher vinham num recipiente único e o prato do dia podia ser um sarrabulho (ensopado de carne com miúdos e sangue de porco), um bacalhau com batatas, tripas, guisados, canjas ou angus de quitandeira. Já o prato de garfo era um menu a preço fixo, um pouco mais refinado e acompanhado de meia garrafa de vinho.

Houve um período de grande confusão, em que hotéis serviam doces e produtos de padaria e confeitarias também serviam refeições quentes. Com o tempo, cada um achou seu lugar, mas uma coisa é fato: a palavra asseio aparecia em quase todos os anúncios de jornal, até 1870.

Três gerações depois, e o que fizemos dos restaurantes? Viraram um negócio onde há dez tipos de água, centenas de vinhos, naturais ou não, uma dezena de destilados para seu drinque,temos de escolher o ponto da carne e podemos escolher entre alimentos orgânicos, veganos ou biodinâmicos. São as voltas que o mundo dá…

Marcos Frank, médico e gourmet. Confira as receitas na página do Instagram: @hungryp@2020!

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