A pressão nos impulsiona, a tensão nos paralisa 

A importância de reconhecer as emoções para melhorar nossos resultados


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Foto: Ilustrativa

Ao longo da minha vida pude conhecer inúmeros ambientes corporativos e participar de várias reuniões “tensas” envolvendo grandes decisões. Lembro de uma na qual uma das partes fez incessantes cobranças sobre a outra, por motivos escusos, de forma ardilosa, querendo promover desgaste emocional para tirar vantagens de decisões precipitadas. Outra situação foi quando uma parte pressionou a outra para encurtar prazos, exigindo mais agilidade, profissionalismo e competência.


ouça o quadro “direto ao ponto”

 


Não pretendo, aqui, abordar outras tantas que já vi, com uso de palavrões, virada de mesa, ofensas e mau-caratismo (pessoas assim não merecem luzes). O detalhe importante sobre as duas abordagens que relatei acima foi que a conduta revelada em ambas as reuniões foi muito semelhante, com algumas palavras mais fortes e com posições firmes. Porém, os objetivos em cada uma delas eram diferentes. Uma delas buscava vantagens nebulosas, enquanto outra buscava vantagens legítimas. Mas o que difere uma da outra e como eu e você podemos nos preparar para situações extremas como essas? Muitas são as pessoas que gostam de “pressão”, mas há muitas que não gostam.

Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e do MasterMind RS (Foto: Tiago Silva / Arquivo)

O que sabemos é que há uma grande confusão quando abordamos este assunto em nossas mentorias e treinamentos. Alguns interpretam um alto nível de exigência como sendo algo ruim. Para ser bem didático, costumo diferenciar os termos “pressão” e “tensão”, definindo que “pressão” se origina da raiva e “tensão” se origina no medo. A raiva é a emoção da convicção, da realização, da execução, porém, pode pôr tudo a perder. O medo é a emoção do planejamento, da cautela, da segurança, porém, pode nos estagnar. “Pressão” é bom, “tensão” é ruim. “Pressão” nos impulsiona, “tensão” nos paralisa. Essa breve e didática definição traz clareza para as pessoas. Ambientes que trabalham sob “pressão” são mais produtivos. Ambientes “tensos”, são propensos a erros e retrabalho. As consequências de ambientes “pressionados” são o aumento de produtividade e melhores resultados, enquanto as consequências de ambientes “tensos” são justamente o oposto, com produtividade baixa, resultados ruins e pessoas adoecendo.

Mas como lidar com isso tudo se ações semelhantes podem gerar resultados diferentes? Há duas respostas importantes aqui. A primeira é interna e tem a ver com o que sentimos, com o “eu”. Não podemos deixar a “pressão” externa virar “tensão” interna. Lembre-se que os fatos são neutros, mas a nossa interpretação dos fatos não é neutra. Devemos ter a sabedoria e o discernimento para interpretar o ambiente onde estamos inseridos e buscar a melhor conduta possível neste ambiente (vide perfomance de alguns na CPI da Covid). A segunda resposta é externa e tem a ver com o que o “outro” está sentindo. Se estamos diante de uma equipe, lembre-se que cada pessoa é diferente. Uma mesma palavra, dita com intensidade, pode “pressionar” um e “tensionar” outro.

Cabe a você, líder, desenvolver a sua inteligência interpessoal. Se conseguirmos “pressionar” a nós mesmos e aos outros, teremos melhores resultados em nossas vidas. Você costuma lidar bem com a pressão do dia-a-dia ou costuma ficar tenso? As pessoas que você lidera estão pressionadas ou tensas? Pense nisso e faça algo para melhorar neste ponto. Seus resultados serão impactados positivamente. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

 

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