A sensação de ter sido enganado mexe com a segurança da pessoa

Você já foi ao supermercado ou açougue comprar carne bovina e, ao chegar lá, não tinha a mínima noção do que comprar exatamente?


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Foto: Ilustrativa

Você já foi ao supermercado ou açougue comprar carne bovina e, ao chegar lá, não tinha a mínima noção do que comprar exatamente? Ou, assim como eu, você não tem o menor conhecimento sobre quais critérios deve levar em conta? Por comodidade, você pega a bandejinha com a carne embalada e a única coisa que analisa é a aparência.

Você leva a compra para casa e imagina que vai fazer aquele bife acebolado. Você prepara o arroz, organiza a salada, faz o suco, arruma a mesa, e, somente então, começa a preparar os bifes para que estejam bem quentinhos na hora de servir. Você abre a embalagem com a convicção de que a carne veio no padrão que aparece na parte superior da bandejinha. Um produto de boa qualidade. Contudo, o que você encontra é uma enganação. A carne que está na parte inferior, isto é, por baixo, é cheia de nervuras e de aspecto nada apetitoso. Não há tempo para mudança de planos no cardápio. O pessoal já começa a rodear a mesa. É hora do almoço. Para encurtar a conversa, você só conseguiu aproveitar dois bifes. Nessa hora você fica incomodado com o estabelecimento onde você comprou a carne. Você se sente enganado, logrado.

Aconteceu comigo outro dia. Porém, havia uma questão que causava estranheza: a empresa onde comprei a carne tem nome e credibilidade. Não posso acreditar que seria uma prática autorizada. A minha constatação me levou a outro caminho. Quem sabe, a atitude de dispor a carne na bandeja dessa forma teria partido do funcionário do açougue. Talvez ele tivesse aprendido em outro lugar e a empresa nem teria se dado conta de que esse seria um tema do treinamento operacional. Quem sabe, prefiro pensar assim, o ocorrido possa ter sido uma situação pontual, um atrapalho na hora de dispor a carne nas bandejinhas. E eu estava num desses dias de pouca sorte diante das miudezas cotidianas.

Texto por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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