A vendedora de bijuterias que trata a dor com respeito

Dirce Becker Delwing relata os ensinamentos que teve ao comprar um colar


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Dirce com a vendedora de bijuterias (Foto: Grupo Independente)

Se tem uma coisa que me irrita é o cabelo fazer nó no fecho da correntinha. Além de arrebentar os fios, dá a sensação de que a gente está literalmente acorrentado. Foi por isso que entrei na loja perguntando por um acessório que não causasse tal incômodo. A vendedora compreendeu a preocupação e explicou que usa um modelo que nunca deu problema.


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Reparei com mais curiosidade e percebi que ela tinha dois pingentes: uma réplica de uma pérola e uma pequena árvore da vida. Questionei o motivo da escolha já que a loja tem uma infinidade de peças disponíveis. Com fisionomia de quem fez a opção de caso pensado, explicou que a pérola significa transformação. “Toda dor que já experimentei teve sua importância. Por isso, eu respeito os incômodos que já senti na vida. Quando compreendi que devia ser a primeira pessoa a me importar comigo mesma é que as coisas foram melhorando”.

Já o pingente da árvore da vida é uma espécie de amuleto para o qual ela olha todos os dias antes de sair de casa. O que ela deseja é conseguir viver o que tiver que ser vivido da melhor forma possível”.

Jéssica, que encontrei numa feira de artesanato no centro de Maceió, falava encorajada. Não revelava ter amargura no coração. Achei por bem pedir que ela montasse, para mim, um colar idêntico ao dela. Para sobreviver às dores que ainda nem começaram a doer. Uma réplica de uma pérola e uma pequena árvore da vida.

Texto por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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