A vida eterna também acontece nos bons exemplos que a gente deixa por onde passa

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing


1

A irmã avisava sobre o falecimento do mano. Li o nome do homem e, na hora, percebi que já ouvira falar nele. Muitas vezes. Na infância. Nos anos finais da década de 1970. Meu mano almoçava na casa da família de Alaerte Zanon à época em que estudou em Canudos do Vale, especialmente nos dias em que tinha aula nos dois turnos. A mãe sempre comentava a gentileza de oferecerem almoço. A gente sentia gratidão. Meu mano caminhava dezesseis quilômetros para frequentar a escola. Oito para ir, oito para voltar. Fez isso durante anos. Acredito que Alaerte deve ter contado em casa sobre o esforço do colega. Menino de coração nobre, tinha empatia pelo próximo. Pensava no guri que passaria o dia sem comer algo quente. E, assim, conseguira autorização para garantir o almoço do amigo.


OUÇA  O COMENTÁRIO


Não sei o que Alaerte Zanon fez nos anos seguintes à conclusão do Ensino Fundamental. Também não sei se meu mano chegou a encontrá-lo em algum outro momento fora da escola. Eu mesma nunca o conheci pessoalmente, mas Alaerte Zanon é um nome que me remete a bem-estar, a cuidado, a acolhida. Ele também nunca soube que cheguei a ter inveja. Imaginava todos sentados à mesa, meu mano no meio deles, degustando cardápios diferentes daqueles que eram servidos na minha família. Por conta disso, estar com Alaerte Zanon também representava uma vida mais próspera.

Quando li o comunicado do seu falecimento, senti que havia perdido alguém muito próximo. Partiu cedo demais. Muito embora sua estada no mundo fora intensa desde a sua meninice. Se pudesse escrever algo em sua lápide, citaria Sócrates: “A um homem bom não é possível que ocorra nenhum mal, nem em vida nem em morte”. Obrigada, Alaerte Zanon!

 


1 comentário

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui