Abelhas e enxameação

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez


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Saída do inverno, temperatura subindo, mais insolação e a natureza começa a transformação da vida. É bom lembrar que estamos vindo de um verão mais seco com período de floração reduzida e depois inverno forte onde as abelhas gastaram muita energia para se manterem. As plantas brotam e entram em floração saindo da dormência. Com os animais não é diferente. Alguns vão entrar em cio, outros procuram seu par para acasalamento. Os insetos entram na fase de reprodução e de feromônios.

As abelhas nos seus ninhos começam a levar néctar e pólen e inicia a postura da rainha para novas abelhas. E isto é muito rápido e na medida que aumenta a população do ninho diminui o espaço. Começam a construir as realeiras para as princesas. Logo a rainha irá perder seu posto e sai com grupo de zangões e operárias em enxameação procurando novo espaço. As abelhas levam o máximo de mel para a nova morada com a enxameação.

Neste momento as abelhas não querem atacar absolutamente nada, cada abelha perdida e mais dificuldade para se instalarem. Lembrem que ao dar a ferroada ela acaba morrendo.
Como nossas abelhas “Apis a mellifera” e a “Apis mellifera scutellata” africanizada, têm o hábito de saírem voando e posarem para descansar enquanto algumas procuram uma nova moradia. É neste momento que encontramos pendurada em galhos, postes, aba de casa, sacadas e tantos outros lugares. Se deixar quieto, em uns dois dias irão para seu lugar escolhido e não atacarão ninguém.

Já dentro de casa é preciso pedir ajuda a apicultores ou socorro dos bombeiros. No escritório da Emater de Arroio do Meio tinha por um bom tempo, uma caixa de abelha dentro do almoxarifado e saiam pela janela. Não incomodavam ninguém. Mas, muitas vezes é preciso sacrificar as abelhas por colocar pessoas em perigo. Ainda mais se for alérgica. Os jornais da semana falam de abelhas que escolheram se abrigar dentro de um armário, por curiosidade será que não tinha doce e ou mel lá dentro? Há locais que precisam ser tiradas. E isto é serviço de profissional. Há ainda casos de migração, mas é outro assunto.

Não tentem jogar água, spray de veneno, colocar fogo com tocha, gritar e fazer barulho, enfim não provoquem que elas ficarão quietas. Cuidado com cachorros para não ficar curioso e atiçar as abelhas. Quer ajudar coloque próximo um prato com água e açúcar, ou mel, para elas se alimentarem e depois seguir o seu caminho. Fumaça é para apicultor que sabe a madeira a ser usada e como utilizá-la para não irritar as abelhas.

Quanto a agrotóxicos não usar. Só em condições de perigo para pessoas e por profissional ou bombeiro treinado para fazer. Nesta época os agricultores usam poucos inseticidas na região. O uso do herbicida Randaup é mais usado para matar os inços e o plantio de milho. Com isto as plantas/floradas desaparecem do campo. Outro produto usado e mais perigoso é o Fipronil que misturado com dessecantes e sementes para combater formigas tem matado abelhas em grande quantidade. E como tem maior período de persistência mata abelhas por mais tempo. Tem acontecido muito na fronteira. Mas, este mesmo princípio ativo é usado dentro de casa em áreas urbanas em forma de spray, coleiras mata pulga, cupinicida e outros. Na Europa foi usado em aviário e matou milhões de galinhas. Então vamos com calma. Repito sou contra o uso de agrotóxicos, mas, cada caso é um caso.

Nossa região é arborizada e com muitos apicultores e boas áreas verdes que servem de pasto apícola. Temos qualidade de vida e ambiental e o aparecimento não só de abelhas com e sem ferrão como de outros animais de certa forma estranhos na área urbana é bom sinal. Sapos, vaga lume, gambá, aves diversas até cobra verde não é ruim. Preocupa os mosquitos, baratas, moscas e ratos sinal que não estamos fazendo certo o destino de nosso lixo, esgoto e águas. Como dizem “Abelha não faz mal, faz mel”.

Dica

Quando as plantas estão com flor não se aplica nenhum produto seja agrotóxico ou produtos ditos “caseiros”. Espantam ou matam os insetos encarregados da polinização.


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