Adolescentes ajudam famílias carentes de Lajeado com doação de alimentos e absorventes

Através do projeto Girl Up, amigos se unem em prol de causas sociais. Meninas e mulheres chegam a faltar aula por não ter um item de higiene pessoal


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Doação de absorventes é um dos pedidos feito pelo grupo (Foto: Gabriela Hautrive)

Um pacote de absorvente custa menos de R$ 5, dependendo da marca, e está longe de ser um artigo de higiene caro, porém, é um produto de luxo para muitas meninas em todo o mundo, inclusive em Lajeado, em que jovens ficam sem ir para escola por não ter condições de comprar o item de higiene pessoal. Pensando nisso, o projeto Girl Up, criado por três adolescentes, Eduarda Purper (15), Guilherme Abeche de Almeida (14) e Lauren Giane Gisch (14), visa arrecadar os produtos e repassar para meninas carentes.

A ação também busca neste momento arrecadar alimentos para entregar a famílias em vulnerabilidade social. Além de amigos, os integrantes do grupo são estudantes do 9º ano do Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat) e levaram a ideia para dentro da escola, recendo todo o apoio dos professores.


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Conforme o estudante Guilherme de Almeida, muitas meninas vivem em situação de pobreza com difícil acesso a alimentos e não conseguem comprar um item básico de higiene que é o absorvente. “Nossa iniciativa luta contra a fome e a pobreza menstrual, pois é um problema cada vez mais pautado e atinge muitas meninas e mulheres ao redor de todo o mundo”, relata.

A pobreza menstrual é um assunto pouco debatido na sociedade e não há muitas campanhas visando arrecadação desses produtos. Segundo Lauren, esse fator faz com que o projeto pense também em contribuir com a doação de absorventes, além dos alimentos, pois existem meninas que usam diversos outros itens no período menstrual devido a dificuldades financeiras.

No Ceat, local onde os integrantes do grupo estudam, há três pontos de coletas (Foto: Gabriela Hautrive)

“Miolo de pão, panos velhos, papel higiênico e absorventes usados, isso seriam algumas coisas que meninas e mulheres acabam usando na falta de absorventes”, relata. Um produto básico que se torna um elemento de luxo diante da situação, se tornando um problema de saúde pública e educacional. “Sabemos que muitas meninas acabam faltando cerca de 45 dias de aula durante seu ciclo menstrual por não terem acesso e acabarem usando outros itens e prejudicando sua saúde”.

A realidade está bem perto, pois segundo o integrante do grupo, Guilherme de Almeida, acontece em escolas de Lajeado. “Essa situação se retrata na Escola Estadual de Ensino Médio Santo Antônio, segundo a diretora, então vamos doar para as meninas que estudam lá e também para um projeto da Saidan”, explica.

Além do item de higiene há também arrecadação de alimentos (Foto: Gabriela Hautrive)

O que motiva os adolescentes a atuarem de forma voluntária em prol de quem precisa é o entendimento de que a causa social é uma responsabilidade de toda população, como relata Lauren. “É uma luta de todos, independente da idade, religião, etnia, de qualquer coisa, é uma causa que deveria ter envolvimento de todo mundo, mas as vezes não tem. Estamos trazendo um movimento de jovens para mostrar que nos importantes e queremos fazer a diferença”, pondera.

Para incentivar a criação de outros projetos, a estudante deixa um recado: “É complicado inicialmente, mas é possível sim. Junta um grupo de amigos, encontra outras pessoas para te apoiarem e vai que vai dar certo”, destaca.

O Girl Up é composto por Eduarda Purper (d), Guilherme Abeche de Almeida e Lauren Giane Gisch (Foto: Gabriela Hautrive)

Como ajudar

Para quem deseja ajudar o projeto, seja com doação de absorventes ou alimentos, há um ponto de coleta no Ceat e opção de contribuir com valores através do PicPay. Mais informações e detalhes podem ser obtidos no Instagram @girlup.lajeado. O grupo realiza encontros virtuais todas as sextas-feiras, tendo inclusive participação de pessoas de outros Estados do país. Além da campanha atual, há também outros projetos visando contribuir com a sociedade que vive em situação de vulnerabilidade em suas mais variadas demandas.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

3 Comentários

  1. Parabéns pela iniciativa dos alunos, tão jovens e com uma visão enorme de oferecer apoio e bem social as pessoas!

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