Afiando e amolando com rebolo: trabalho exige técnica e paciência

"Afiar é remover o metal, é gerar um novo fio. Amolar é colocar o fio no lugar, é restaurar", explica o engenheiro agrônomo Nilo Cortez


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Afiar e amolar são trabalhos de artesão com técnica e muita paciência, mas, o resultado compensa (Foto: Divulgação)

Desde o início da história da humanidade já se usava pedras para afiar ou ser afiada. Chineses, japoneses, árabes, índios, tribos em fim todos os povos tinham uma técnica para afiar. Amolar e afiar são coisas diferentes. Afiar é remover o metal é gerar um novo fio. Amolar é colocar o fio no lugar, é restaurar.

Hoje a tecnologia e a industrialização fazem “pedras” artificiais e ferramentas para afiar para as mais diversas atividades. São mais estáveis, baratas e duradouras. O uso da eletricidade veio facilitar e o esmeril pode ser usado com diversas pedras.

Vamos abordar o uso das pedras naturais e algumas delas se tornaram famosas pela sua qualidade e seus compostos extraídos de minas na natureza. Pedras de Arkansas EUA, Bélgica, Turquia, Síria e Líbano, Inglaterra e Japão entre outros. E estão ficando raras e caras para serem encontradas. Muitas minas estão limitadas para a extração.

As pedras são classificadas por granulometria com análise da composição, quantidade e tamanho de grãos, e dureza da pedra. Para pedras naturais didaticamente pode ser usado:
Para fazer o desgaste, áspero, da peça se usa de 240 a 400 de granulometria. Para melhorar o fio ao redor 800. Para deixar mais alinhado o fio 1000. E para um fio mais apurado de 4000 a 6000. E polir acima de 6000.

Quanto mais fina a granulometria mais as bordas serão afiadas. As mais grossas mais desbasta e bordos são mais arranhadas. De certa forma precisaríamos de pedras diferentes para dar fio e amolar de forma completa.

Entre nós desde a colonização a pedra mais usada é “Pedra Grés”, uma rocha sedimentar com grãos do tamanho de areia. Assunto para geólogo.

Cada propriedade tinha seu rebolo com a pedra e tocada a manivela numa caixa de madeira. Mesmo na área urbana era comum encontrar o rebolo. Hoje poucos usam, mas, fica aí uma dica para turismo rural. Conhecida por pedra grés, alicerce ou areia. Que trabalhada fazem o rebolo e são encontra para vender. E quem dos mais experientes não lembra do afiador de facas e tesouras que passava tocando apito e de bicicleta? Uma das profissões que praticamente desapareceu. A pedra para afiar a gilete. O barbeiro para amolar a navalha, “strop” de couro especial e se colocava pasta abrasiva na base de cromo para apurar o fio. Hoje substituído por giletes descartáveis.

Há outros tipos de rebolo com material industrializados muito bons, mas, perde aquelas características coloniais.

O gaúcho usa ainda a “Chaira” que é feita com zircônio metal especial podendo ser lisa usada para quem corta carne sem osso. Estriada para cortes de carne com osso. E a diamantada com tecnologia mais apurada. Em resumo são limas. Não se classificando como pedras. Ainda teríamos então as limas chatas, redondas e triangulares que fogem de nossa abordagem de pedras.

Afiar e amolar são trabalhos de artesão com técnica e muita paciência, mas, o resultado compensa. Há vídeos na internet dando dicas e casas especializadas a prestar este serviço de “Afiação”, inclusive em Lajeado.

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