Afinar o violão com a gaita: o sucesso depende da capacidade de atuar em harmonia

Leia e ouça a análise da professora Ivete Kist no quadro "Um Outro Olhar"


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Professora Ivete Kist realiza comentário no programa Acorda Rio Grande (Foto: Rodrigo Gallas)

Na infância conheci um pouco da vida na roça. Só um pouco, porque a experiência se dava no período das férias e na casa dos avós. Mas foi o suficiente para compreender a dureza que era ganhar o pão com a força dos braços, manejando enxada e arado.

Digo isso para explicar meu interesse pelas notícias da Expodireto, a feira do setor agrícola, que se estendeu entre os dias 7 e 11 de março na cidade de Não-Me-Toque. As novidades tecnológicas são assombrosas. Veja-se o caso dos drones. A Expodireto mostrou drones destinados ao mapeamento de solos e à pulverização de defensivos e de fertilizantes. Não bastasse darem conta dessas tarefas, os drones podem ser programados para atuar em espaços demarcados com precisão. Ainda por cima, respondem aos comandos emitidos à distância.

Outra das novidades é o sistema de iluminação artificial para as lavouras. O método consiste em acoplar módulos de led no pivô de irrigação, para suplementar luz e assim influir no processo de fotossíntese das plantas durante a noite. Ou seja, além de prover umidade por via mecânica, ativa o desenvolvimento da plantação.

É simplesmente admirável, constatar que as máquinas vêm progressivamente amenizando a rudeza do trabalho no campo. Nem consigo imaginar o tamanho da admiração do meu avô, se pudesse ver o que hoje acontece. Mesmo assim, é engano pensar que o sucesso de um empreendimento fica assegurado pela utilização da tecnologia. Isso não acontece nem na roça nem na vida.

A tecnologia faz enxadas e arados mais inteligentes. A tecnologia simplesmente enviou o manguá para o museu. A tecnologia permite o controle remoto, o piloto automático e sabe-se lá quanta coisa mais. Mas convém não esquecer que todos esses são só instrumentos. Quem garante a solidez das organizações não são os instrumentos, são as pessoas.

Seja nos clubes ou nas empresas, o sucesso depende da capacidade de atuar em harmonia. Agir em cooperação é indispensável. Sem isso qualquer organização é frágil, tem alto risco de não resistir.

Brigar é muito mais fácil do que conviver em harmonia. Destruir pede muito menos energia do que construir. Tudo o que é sólido pode voar pelos ares, inclusive a paz entre as nações. A guerra entre Rússia e Ucrânia é a mais triste e mais recente das provas. Pensava-se que a humanidade tivesse aprendido a zelar pela paz. Pensava-se que já houvera suficientes horrores em guerras pequenas e grandes. Mas qual! Bem que Affonso Romano de Santana afirmou certa vez: “Os homens amam a guerra e mal suportam a paz”.

Ou como ensina a sabedoria popular: o desafio principal é afinar o violão com a gaita.

Por Ivete Kist, professora

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