Ainda no poder, Lukashenko premia forças de segurança enquanto protestos continuam

Lukashenko disse que Minsk implantou unidades armadas em suas fronteiras ocidentais em resposta a declarações de governos estrangeiros sobre a situação no país.


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O presidente bielorrusso Alexander Lukashenko gesticula enquanto faz um discurso durante uma manifestação de seus apoiadores perto da sede do Governo na Praça da Independência, em Minsk, neste domingo (16) (Foto: Reuters)

Alexander Lukashenko, o líder de Belarus, concedeu nesta terça-feira (18) medalhas “por um serviço impecável” a agentes da lei que o ajudaram a reprimir os manifestantes que vêm exigindo sua renúncia há dez dias.

Na tentativa de acabar com as greves que se espalharam por algumas das fábricas mais importantes do país, o governo também enviou uma carta a gerentes de plantas estatais instruindo-os a fazer com que os trabalhadores cumpram suas tarefas ou sejam disciplinados.

Lukashenko disse que Minsk implantou unidades armadas em suas fronteiras ocidentais em resposta a declarações de governos estrangeiros sobre a situação no país.
Em uma reunião televisionada, Lukashenko disse que as unidades estão em alerta máximo e prontas para cumprir suas obrigações.

Ele ainda convocou o lançamento de um conselho de coordenação para membros da oposição como uma tentativa de tomar o poder e advertiu que medidas seriam tomadas em resposta, informou a agência de notícias Belta.

“É uma tentativa de tomar o poder”

Um conselho de coordenação impulsionado pelo líder da oposição Sviatlana Tsikhanouskaya para facilitar uma transição de poder após eleições contestadas deve se reunir pela primeira vez em Minsk no final da terça-feira. “Vemos isso de forma inequívoca: é uma tentativa de tomar o poder”, disse Lukashenko, acrescentando que tomaria medidas contra aqueles que ingressarem no conselho. “Temos o suficiente dessas medidas para esfriar algumas cabeças quentes.”

Lukashenko, no poder há 26 anos, está sob pressão e não se antevê o fim dos protestos e das greves contra o que manifestantes dizem ter sido uma eleição presidencial fraudada no dia 9 de agosto e que ele diz ter vencido.

Ao menos dois manifestantes morreram e milhares foram detidos na operação repressiva pós-eleitoral. A oposição diz que a política da oposição Sviatlana Tsikhanouskaya foi a vencedora do pleito e quer novas eleições.

A União Europeia se prepara para impor novas sanções a Minsk por causa da repressão. A chanceler alemã, Angela Merkel, disse ao presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira que a Alemanha quer que o governo bielorrusso se abstenha da violência, liberte prisioneiros políticos e inicie conversas com a oposição.

Putin, segundo o Kremlin, disse a Merkel que uma tentativa de intervenção externa nos assuntos internos de Belarus seria inaceitável.

A Rússia, aliada tradicional de Minsk, está atenta aos desdobramentos porque a Belarus abriga oleodutos usado para transpor exportações russas ao Ocidente e é vista por Moscou como uma zona-tampão contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Ainda nesta terça-feira, centenas de manifestantes bradaram “vergonha” em um teatro de Minsk em solidariedade a seu diretor, que foi demitido por se posicionar a favor da oposição.

Mais tarde, eles se reunirão em uma prisão onde o marido da líder opositora exilada Tsikhanouskaya está detido desde o final de maio. Ele planejava concorrer contra Lukashenko na eleição e foi substituído pela esposa.

Lukashenko está passando apuros para conter o maior desafio já visto à sua permanência no poder – protestos contra a maneira como ele lida com a pandemia de coronavírus, a eleição e outras denúncias estão causando revolta em partes da sociedade.

Trump se pronuncia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na terça-feira que falaria com a Rússia “no momento apropriado” sobre os protestos contra Lukashenko. Trump afirmou que as manifestações parecem ser pacíficas.

O americano disse também que não parece haver muita democracia na Belarus. “Gosto de ver a democracia”, disse ele a repórteres. “Não parece haver muita democracia na Belarus.”

Trump não deu outros detalhes sobre quando conversaria com Moscou, acrescentando que também falaria com outras pessoas.

Os líderes europeus também pediram conversas sobre a Belarus e devem avaliar as possíveis sanções na quarta-feira. Na terça-feira, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e o presidente russo, Vladimir Putin, discutiram um possível diálogo, e o presidente francês Emmanuel Macron e Putin também conversaram.

Fonte: G1

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