Alaíde Costa aos 85 anos prepara disco com Emicida e fala sobre racismo na bossa nova

Cantora comenta exclusão de seu nome da lista de homenageados pela Fundação Palmares e falta de reconhecimento da turma do banquinho e violão.


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Foto: Divulgação

Era 1968 e Alaíde Costa havia conquistado o quinto lugar do Festival Universitário da TV Tupi, cantando “Outra viagem”. Aos 65 anos de carreira, a rainha das canções românticas, suaves e dramáticas vive um momento de produção intensa.

As oportunidades e, sobretudo, as homenagens tocam fundo na artista, que nem sempre teve o reconhecimento merecido. Alaíde não esconde a mágoa com a turma do banquinho e violão. Ela, que participou (a convite de João Gilberto) dos encontros que marcariam o surgimento do gênero e compôs com Tom Jobim e Vinicius de Moraes, diz: “quando a bossa nova estourou, fizeram de conta que eu não existia”.

Nesta entrevista, ela conta que só muito tempo depois compreendeu a mão pesada do racismo em sua trajetória.

– Era um preconceito velado – define a cantora, que se surpreendeu ao saber o apelido que os companheiros lhe deram pelas costas (“ameixa”) e diz se sentir “honrada” ao estar junto de Milton Nascimento e Gilberto Gil na lista de nomes excluídos de homenagem da Fundação Palmares.

Nomes excluídos da Fundação Palmares

A Fundação Palmares divulgou uma série de nomes que foram excluídos da Lista de Personalidades Negras que eram homenageadas pelo órgão. A justificativa para a mudança, dada pelo presidente da fundação, Sérgio Camargo, foi de que a lista passará a fazer homenagens póstumas.

Vinte e sete nomes foram divulgados pela Fundação Palmares, e entre eles estão personalidades negras que trouxeram grande representatividade para o movimento negro. Nomes como Benedita da Silva, Conceição Evaristo e Martinho da Vila foram excluídos, bem como outros grandes da política, da cultura, do atletismo e intelectuais. Alguns dos ex-homenageados pela fundação se pronunciaram sobre a mudança.

Fonte: O Globo/Bhaz

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