Alemanha e EUA divergem sobre como lidar com governo do Talibã

Ao contrário do secretário de Estado americano, o ministro do Exterior alemão disse que a Alemanha descarta reconhecer o governo interino do Afeganistão


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Países do Ocidente observam com ceticismo a formação do novo governo do Afeganistão, após o Talibã indicar militantes veteranos para os principais cargos da administração pública, alguns dos quais constam na lista de procurados pelos Estados Unidos por acusações de terrorismo.

Nesta quarta-feira (8), o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou após uma reunião com ministros do Exterior de vinte países que a legitimidade do novo governo terá de ser merecida. “Apesar de anunciarem que o novo governo seria inclusivo, a lista anunciada consiste exclusivamente de membros do Talibã, sem nenhuma mulher”, disse.

Blinken se reuniu nesta quarta-feira com o ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, na base americana de Ramstein na Alemanha. O local é utilizado pelos EUA como ponto de acolhimento de pessoas retiradas do Afeganistão após a tomada de poder pelo Talibã.

Segundo o governo alemão, 34.103 pessoas chegaram à base de Ramstein, vindas do Afeganistão, até esta segunda-feira. Mais de 23 mil foram encaminhadas para os Estados Unidos ou outros países, e 90 pediram asilo à Alemanha. Outras 269 ainda devem chegar ao local.

Blinken disse que os EUA estão “preocupados com as afiliações e avalia os registros de alguns desses indivíduos”. Entre os nomeados estão ex-detentos da prisão americana de Guantánamo, em Cuba, conhecida por receber suspeitos de terrorismo.

O novo ministro afegão do Interior, Sirajuddin Haqqani, é procurado por terrorismo pelos EUA, que impuseram uma recompensa de US$ 10 milhões por sua captura. Seu tio, que assumiu o Ministério de Refugiados e Repatriações, é alvo de uma recompensa de US$ 5 milhões.

Ao contrário de Blinken, Maas disse que a Alemanha descarta reconhecer o governo interino do Afeganistão, mas se pronunciou a favor da manutenção do diálogo com o Talibã, enquanto seu país ainda tenta retirar pessoas do território afegão. Ele pediu uma coordenação internacional sobre a forma de lidar com o regime talibã.

Os Estados Unidos e a Alemanha foram os países que mais enviaram soldados para a coalizão militar, que permaneceu no Afeganistão por duas décadas.

Fonte: DW

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