Alemanha teria 1,8 milhão de infectados pelo coronavírus, diz estudo

Com base em dados de cidade do oeste alemão foco de covid-19, estudo aponta que número de casos no país pode ser dez vezes maior do que o oficial. Resultado mostra ainda que 22% dos infectados não apresentaram sintomas.


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Médicos usando roupa protetora e equipamento realizam testes de Covid-19 em laboratório em sistema drive-in em Berlim, na Alemanha, em foto de 23 de março (Foto: John MacDougall/AFP)

Pesquisadores da Universidade de Bonn apontam que é provável que dez vezes mais alemães tenham contraído o novo coronavírus do que o número de casos oficialmente confirmados no país. Segundo um estudo, divulgado nesta segunda-feira (4), que analisou dados de uma cidade do oeste alemão, uma em cada cinco pessoas infectadas não apresenta sintomas.

As conclusões levaram em conta dados que os pesquisadores reuniram em Gangelt, cidade de cerca de 11 mil habitantes, localizada no distrito de Heinsberg, que se tornou um dos principais epicentros do vírus no país, após um casal contaminado ter participado do Carnaval local.

Os pesquisadores entrevistaram e analisaram os casos de 919 pessoas, de 405 domicílios. Em Gangelt, cerca de 15% da população foi contaminada e a taxa de mortalidade entre esses pacientes foi de 0,37%. “Se extrapolarmos esse número para as quase 6.700 mortes associadas à covid-19 na Alemanha, o número total de pessoas infectadas seria estimado em cerca de 1,8 milhão”, segundo o estudo, ou seja, um número “10 vezes maior que o total” de casos oficialmente notificados.

Segundo o Instituto Robert Koch (RKI), a Alemanha possui 163.175 casos confirmados de covid-19 e registrou 6.692 mortes em decorrência da doença.

Outro dado também chamou a atenção. “Em Gangelt, 22% das pessoas infectadas não apresentavam sintomas”, revela o estudo. “O fato de aparentemente uma infecção em cada cinco ocorrer sem sintomas visíveis da doença sugere que as pessoas infectadas, que secretam o vírus e, portanto, podem infectar outras pessoas, não podem ser identificadas com base em sintomas reconhecíveis da doença”, diz o professor Martin Exner, co-autor do estudo.

Esse aspecto confirma, segundo ele, a importância das regras gerais de distanciamento social e higiene. “Qualquer pessoa que esteja em boas condições de saúde pode ser portadora do vírus sem sabê-lo. Precisamos estar cientes disso e agir em conformidade”, aconselha o pesquisador, quando a Alemanha começa um desconfinamento progressivo.

A publicação das conclusões coincidiu com novas medidas adotadas pela Alemanha nesta segunda-feira para suavizar as restrições impostas para conter o avanço da pandemia. Museus, cabeleireiros, igrejas e mais montadoras de veículos reabrirão sob condições rigorosas.

“Os resultados podem ajudar a melhorar mais os modelos para calcular como o vírus se dissemina. Até agora, os dados subjacentes foram relativamente fracos”, disse Gunther Hartmann, outro participante do estudo.

A pesquisa também afirma que as infecções dentro de uma mesma família são bastante baixas e que, de maneira geral, a taxa de infecção parece “muito semelhante entre crianças, adultos e idosos, e aparentemente não depende da idade” nem do sexo.

Fonte: G1

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