Alguma vez você já teve a tentação de viver além da rotina?

Basta acordar um pouco antes e ter o propósito de abrir os olhos para as belezas que nos cercam.


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Foto: Ilustrativa

Ontem, conheci o Isaías. Ele tem 17 anos, trabalha como empacotador num supermercado da cidade de Lajeado. Conversamos durante o tempo em que ele me ajudava a colocar as compras no carro. E a fala surgiu sem pretensão. Enquanto ele ajeitava o carrinho contra uma árvore para que não deslizasse morro abaixo, comentou sobre o quanto estava achando o dia agradável e que, de manhã cedo, já tinha feito um passeio com a sua bike. Teria acordado às seis da manhã e fora pedalando até Arroio do Meio. Ao chegar lá, teria visto o nascer do sol, momento que definiu como sendo um grande espetáculo da natureza. Quando ouvi isso, fiquei encantada. Um guri de 17 anos estava me contando como a gente pode enfeitar a vida com pequenas atitudes, ao alcance de todos nós. Basta acordar um pouco antes e ter o propósito de abrir os olhos para as belezas que nos cercam.


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Mas, a nossa conversa não parou por aí. Eu quis saber mais. Aluno do segundo ano do Ensino Médio de uma escola pública, sem aulas em função da pandemia, ele tem aproveitado o tempo para estudar administração de finanças e contabilidade. Contou que até empresta livros sobre o assunto para conhecidos que, por vezes, se queixam que estão mal de grana. Questionei se tem uma receita para guardar dinheiro. Respondeu que o atrapalho acontece quando a pessoa gasta com bobagens, aquelas coisas que compra, mas, que, na verdade, não estava precisando, e, que, bem possível, nem vai usar, ou que terá pouca serventia de fato.

E, o que fazes com teu salário? “Pago minha academia, guardo boa parte. Já tenho todo o valor para tirar minha carteira de motorista”, respondeu. Escutei essa parte, enquanto ele colocava a última sacola no carro. Nem soube muito bem o que dizer, apenas agradeci e pedi seu nome completo. Se alguém o conhece, peço que lhe transmita o seguinte recado: Isaías, não tenho dúvidas de que, se seguires assim, no futuro, terás teu próprio negócio e serás um empreendedor de sucesso. Sonho que me confessaste naqueles poucos minutos de prosa.

Quanto a mim, em poucos minutos, aprendi uma lição sobre finanças e, ainda, fui provocada a pensar sobre o que é, de fato, viver. Estaria vivendo, ou apenas existindo? Aproveitando o belo da vida, ou gastando meus dias com repetições de afazeres, sem verdadeiramente mergulhar nas profundezas da vida?

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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