Aliança ferroviária ressuscita os trens noturnos na Europa

Operadores ferroviários de Alemanha, Áustria, Suíça e França se unem para formar rede de trens-leito transfronteiriços entre 13 metrópoles europeias. Medida visa criar uma concorrência às companhas aéreas de baixo custo.


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O serviço Nightjet da companhia ferroviária austríaca ÖBB é uma das poucas opções de trens-leito na Europa (Foto: Wagsceider / OBB/dpa/picture alliance)

Operadores ferroviários de Alemanha, Áustria, França e Suíça decidiram unir forças para ressuscitar o prestígio dos trens noturnos e fornecer uma rede de trens-leito transfronteiriços conectando 13 grandes cidades europeias.

Os trens noturnos transeuropeus se tornaram uma raridade nos últimos anos, exceto pelas travessias operadas pelas empresas austríacas ÖBB e TrenItalia. Um panorama que as companhias ferroviárias – a alemã Deutsche Bahn, a austríaca ÖBB, a suíça Swiss SBB e a francesa SNCF – querem mudar por meio de uma iniciativa conjunta.

A medida visa criar uma concorrência às companhias aéreas de baixo custo. A partir de 2024 os viajantes terão a escolha de voar ou viajar enquanto dormem entre 13 metrópoles europeias, que incluem cidades como Amsterdã, Paris, Bruxelas, Roma, Berlim, Barcelona, Munique e Viena.

A atual falta do serviço de transporte noturno será suprida pelas novas conexões Viena-Munique-Paris e Zurique-Amsterdã em dezembro do próximo ano, pela conexão Viena-Paris (via Berlim e Bruxelas) em dezembro de 2023 e pelo trem-leito entre Zurique e Barcelona a partir de dezembro de 2024.

Os executivos-chefes das quatro companhias ferroviárias assinaram o memorando de entendimento na terça-feira (08/12) e disseram que o projeto faz parte “dos esforços gerais da União Europeia em reduzir as emissões de dióxido de carbono e criar mobilidade ambientalmente correta”.

Segundo eles, o projeto de trens noturnos também reflete o apoio político dos governos dos quatro países e seu comprometimento com “uma cooperação mais forte em todos os níveis” em toda a rede ferroviária da Europa.

O chefe da Deutsche Bahn, Richard Lutz, descreveu o empreendimento em torno dos trens-leito como “um negócio entre parceiros” e afirmou que “a solução é uma divisão clara de trabalho, embutida num genuíno jogo de equipe”.

A ministra para a proteção climática da Áustria, Leonore Gewessler, descreveu o projeto como um compromisso dos quatro países para a criação de condições estruturais para o tráfego de trens noturnos “bem projetado” que se estende “por toda a Europa”.

Deutsche Bahn abandonou trens noturnos em 2016

Sob ao argumento de não serem lucrativos, os trens noturnos foram abandonados pela Deutsche Bahn em 2016. A companhia, no entanto, entregou algumas rotas noturnas à austríaca ÖBB – cujos serviços de trens-leito estão suspensos devido à covid-19.

Nos últimos meses, em meio ao debate climático na Europa, o ministro alemão dos Transportes, Andreas Scheuer, mencionou ressuscitar o Trans-Europ Express (TEE) da Alemanha. Estes trens trafegavam de 1957 até 1987 cruzando as fronteiras da então Comunidade Econômica Europeia (CEE), Áustria e Suíça, e foram substituídos pelas chamadas conexões Inter-City Express (ICE) da DB e outros serviços comparáveis. Mas a maioria das rotas funciona durante o dia.

Segundo Scheuer, a versão 2.0 do Trans-Europ Express é um “resultado muito concreto” das consultas feitas por ministros dos Transportes da União Europeia e do mandato de seis meses da Alemanha na presidência rotativa do Conselho Europeu.

Os operadores ferroviários citaram os custos adicionais dos trens-leito, que exigem carruagens e instalações diferentes das de locomotivas comuns, como uma razão pela qual a cooperação internacional compensaria.

“Boa notícia para o meio ambiente”

A associação alemã de passageiros ferroviários Pro Bahn saudou o acordo como uma “Notícia muito boa também para o meio ambiente”. O clube ecologista de mobilidade VCD da Alemanha aproveitou para reiterar que “também chegou a hora de todas as grandes cidades europeias, de Moscou a Lisboa e de Nápoles a Estocolmo, serem conectadas por trens rápidos 24 horas por dia”.

Mas a Mofair, uma aliança de operadoras ferroviárias privadas que operam trens regionais na rede ferroviária da DB, disse que a iniciativa dos quatro países equivale a um “cartel de trem noturno transfronteiriço subsidiado” e remeteu a semelhanças no passado.

O parlamentar opositor alemão do partido A Esquerda e defensor de uma reforma ferroviária, Victor Perli, disse que o Ministério dos Transportes da Alemanha “de fato entendeu” que a competição não geraria tais serviços e que a política carrega o papel de direcionamento.

A Suécia também está planejando novos serviços de trens noturnos. A partir de 2022, trens-leitos irão trafegar entre Estocolmo e Hamburgo e entre Malmö e Bruxelas.

As operadores atualmente ativas no transporte noturno de passageiros incluem a Regiojet, com sede na República Tcheca, os serviços Nightjet operados pela austríaca ÖBB e o serviço italiano EuroNight, que conecta cidade como Praga, Varsóvia e Budapeste. Devido à pandemia de covid-19, o Trenhotel da Espanha reduziu alguns de seus serviços noturnos no início deste ano.

Fonte: DW (Deutsche Welle)

 

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