Alta demanda faz UPA de Lajeado dobrar média de atendimentos diários

Surto de virose seria o responsável pela procura elevada. No entanto, pelo menos um terço dos casos são de nível azul, classificados como leves


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Diretora dos Serviços de Saúde da Fundação Univates, Úrsula Jacobs, expõe dados de atendimentos da unidade (Foto: Tiago Silva)

A alta procura fez a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Lajeado, localizada no Bairro Moinhos D’Água, dobrar a média de atendimentos diários. Essa média era de 225 atendimentos. Porém, nas últimas semanas, tem ficado próximo de 450. Isso impacta em um tempo de espera mais elevado, principalmente em casos de menor gravidade. Em janeiro, 45% dos atendimentos eram de nível azul, 35% em fevereiro e 30% em março.

No mês passado, com volume de atendimento alto, o tempo máximo de espera foi de 5h46min, conta diretora dos Serviços de Saúde da Fundação Univates, Úrsula Jacobs. No entanto, esse era um caso azul, que poderia ter sido atendimento em um posto de saúde, e não no Pronto Atendimento.

Segundo ela, pelos contatos com profissionais de saúde em outros municípios, a alta procura tem sido tendência, bem como o aumento do tempo de espera. Ela cita que o Hospital de Clínicas em Porto Alegre, que nesta terça (12) chegou a registrar 10h de espera.

“O volume de atendimento vai gerar um aumento no tempo de espera”, reconhece. “O que a gente não pode gerar é aumento de espera nas classificações amarela, laranja e vermelha, que são os que estão em perito e em riso de vida”, aponta. “Normalmente, ficamos na média”, afirma.

O secretário de Saúde de Lajeado, Cláudio Klein, observa que a demanda decorre principalmente de uma virose que acomete mais as crianças, mas também atinge a população adulta. O surto é registrado no estado inteiro, e de acordo com Klein, está em trajetória de elevação de casos.

Secretário de Saúde de Lajeado, Cláudio Klein (Foto: Tiago Silva)

Conforme o médico, a UPA tem uma estrutura física limitada, principalmente a sua sala de espera. O modelo da unidade veio desenhado do Ministério da Saúde. Klein adianta que a Prefeitura de Lajeado trabalha com a ideia de fazer ampliação, “mas não é uma coisa que se resolve de uma hora para outra”, admite.

Hoje a unidade tem quatro médicos atuando de dia e dois pela noite. Eles são empregados escalonadamente de acordo com a demanda. Um limitador que a direção enfrenta é que fica limitada a possibilidade de colocar mais médicos na UPA por falta de espaço. Não há mais disponibilidade de salas para mais profissionais e extensão de consultas e exames.

Lajeado busca viabilizar o Posto de Saúde do Centro como uma estrutura de apoio para desafogar a UPA. Segundo explica o secretário, há uma construção junto com o posto do Centro para duas salas médicas e expansão de atendimento para 12h diárias, de segunda a sexta-feira. Porém, é necessário contratar profissionais para abraçar esses atendimentos.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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