Análise: o que levou o Inter a ceder o empate na primeira partida da fase de grupos da Copa Sulamericana

Entenda os dois tempos distintos do Internacional contra o 9 de Outubro do Equador


2

Coluna semanal de Daniel Klabunde*

Na noite de quarta-feira (06), o Internacional foi até o Equador enfrentar o 9 de Outubro, na cidade de Guayaquil, no Estádio Alejandro Ponce Noboa.

O Inter iniciou a partida com o seu esquema base, o 4-3-3. Liziero, Gabriel e Edenílson formando a linha de meio campo. Enquanto isso, Taison, Wesley e Mauricio formavam a linha de ataque. Este posicionamento mudava muito durante a partida, com Mauricio e Taison se movimentando bastante pelos lados, além das infiltrações dos homens de meio campo.

Essa movimentação ajudava na saída de bola, que era executada por três jogadores na linha defensiva, mais dois no meio campo, formando uma saída em 3-2. A primeira linha sempre era composta pelos dois zagueiros e um dos laterais. Enquanto isso, dois meio campistas sustentavam a saída pelo meio. Em alguns momentos, era possível ver uma saída em 3-1. Isso acontecia quando um dos meio campistas buscava o espaço livre mais a frente, ou buscava arrastar a marcação para abrir espaço.

O primeiro gol do Internacional acontece no momento que o time resolve pressionar a defesa do 9 de Outubro. Gabriel pressiona o zagueiro, enquanto Taison efetua o encaixe no homem livre, além de marcar a linha de passe para desafogo com o lateral.

Após a recuperação de bola, Gabriel continua o movimento, arrasta a marcação para direita, abrindo espaço para Taison no meio, e a infiltração de Maurício em profundidade.

O segundo gol sai logo em seguida. Mais uma vez, em um momento de pressão na saída de bola do time da casa. Desta vez, Wesley pressiona o goleiro, anulando a linha de passe para o lado direito da defesa. Enquanto isso, os outros jogadores efetuam os encaixes na marcação, forçando a saída com bola longa. O passe errado propicia a recuperação de bola ainda no campo de ataque, dando origem à jogada do segundo gol.

Mas, mesmo marcando gols em momentos de pressão, o Internacional insistia em deixar a posse de bola com o adversário. Como podemos ver no gráfico abaixo, onde demonstra o tempo e a intensidade de pressão do time. Quanto maior a barra, maior a intensidade. Quanto maior o número de barras, mais tempo o time exerceu pressão no adversário.

A partir disto, podemos ver que o Internacional praticamente não pressionou o 9 de Outubro, no segundo tempo. Essa falta de iniciativa, por parte do time gaúcho, possibilitou ao time da casa buscar o empate.

O primeiro gol do 9 de Outubro sai de uma cobrança de escanteio. Mas, o que precisamos analisar é a jogada do segundo gol. O time da casa executou muito bem o perde-pressiona, que é quando o time perde a posse de bola no ataque, mas mantém seus jogadores pressionando a defesa, para recuperar a bola.

Logo após, a falha de marcação defensiva do Inter, possibilitando a triangulação de ataque, até chegar ao Danny Luna, para efetuar o cruzamento, e Mauro da Luz empatar a partida.
Podemos ver que o Inter está em igualdade numérica no momento defensivo, mas falha na marcação individual, gerando espaço para o meio campista se posicionar.

O Internacional deixou escapar uma grande vitória no Equador, por apostar em um jogo de transições e bola longa. Durante a partida, foram 72 bolas longas do Inter, acertando apenas 32 (44%). Medina apostou demais na capacidade de Wesley executar o pivô, além da velocidade de Maurício e Taison.

Uma aposta equivocada, pois foi visto que os melhores momentos do Internacional foram em momentos de posse de bola, e marcação alta, induzindo o adversário ao erro.

Coluna semanal de Daniel Klabunde*, comentarista de esportes do Grupo Independente

2 Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui