André Barbieri, atleta paralímpico lajeadense, conta como transformar as dificuldades em oportunidades para realizar sonhos

Após perder a perna em um acidente na Califórnia, ele utilizou do esporte para alcançar objetivos maiores. Neste ano, disputou os Jogos de Inverno na China e foi porta-bandeira do Brasil no encerramento do evento


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Foto: Ale Cabral/CPB

Único brasileiro na disputa do snowboard na Paralimpíada de Inverno Pequim, na China, o lajeadense André Barbieri encerrou sua participação no evento, realizado entre 4 e 20 de fevereiro, na 13º posição na classificação geral. Ele compete na classe LL1, para pessoas com deficiência em uma ou ambas as pernas. Hoje com 41 anos, Barbieri iniciou no snowboard paralímpico após sofrer um acidente quando praticava snowboard na Califórnia, Estados Unidos, em 2011. Na ocasião, ele quebrou o fêmur da perna esquerda e chegou a passar por quatro cirurgias, mas o membro teve de ser amputado.

“Na época foi bem difícil para todo mundo, para a família, para a namorada — hoje esposa. Ninguém quer perder uma perna. Mas eu utilizei aquilo para me catapultar em objetivos maiores e, pelo esporte, eu fui atrás de grandes objetivos, e 11 anos depois eu consegui chegar nas Olimpíadas pelo esporte que me custou a perna”, comenta ele.

Antes de se dedicar aos esportes na neve, o lajeadense competia em provas de triatlo e surfe adaptado. O sonho era participar dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, mas ele acabou batendo na trave. “Não deu certo, mas eu vivi muitas aventuras”, recorda. Em fevereiro deste ano, o esportista foi destaque ao quebrar o recorde brasileiro e conquistar uma prata e um bronze na Copa do Mundo de Para Snowboard de Kelowna, no Canadá.

 

 

Em Pequim, ele competiu no snowboard cross e no banked slalom. Em ambas, terminou na 13ª colocação. Conforme ele, pelo fato de não morar na neve e não ter tanto tempo de treino quanto os demais competidores, já tinha consciência de onde chegaria. “Eu não estava esperando medalha, mas só o fato de eu ter chegado ali já foi uma vitória”, afirma.

Barbieri diz que pode evoluir bastante por ter menos experiência, mas admite que a idade não favorece. Por outro lado, ele conta que se mudou para os EUA pela paixão que nutre pelo surfe, e tem o sonho de chegar aos Jogos Olímpicos neste esporte.

Ao final do evento na China, o gaúcho foi escolhido o porta-bandeira do Brasil no encerramento dos jogos. “Foi um dos maiores momentos da minha vida. Talvez de emoção foi o maior momento. Ali eu carreguei o país inteiro comigo. Estava todo mundo comigo ali, naquele momento. Foi muito emocionante”, compartilha.

Foto: Ale Cabral/CPB

Conquistas pessoais em data marcante

No dia da disputa do banked slalom, André celebrou duas coincidências pessoais: aniversário de um ano da filha mais nova e data em que teve de ser submetido à amputação após acidente com snowboard na Califórnia.

A mudança para os EUA

O surfe levou André Barbieri aos Estados Unidos, há 15 anos. Ele trocou Lajeado por Santa Barbara, na Califórnia, local conhecido por ter algumas das melhores ondas do mundo.

O acidente em 2011 foi numa descida em Mammoth Mountain, também na Califórnia. Atualmente ele ainda surfa — de joelhos, sem prótese —, mas é o snowboard adaptado, que pratica desde 2018, que lhe deu novamente a liberdade de ficar de pé na prancha.

Profissionalmente, além do esporte, Barbieri trabalha para uma empresa de próteses.

Foto: Ale Cabral/CPB

A diferença entre banked slalom e cross

No banked slalom, o atleta desce três vezes uma pista com portões, e o melhor tempo indica o vencedor. Já no cross, os competidores encaram três descidas, em um percurso com diferentes saltos e obstáculos. A melhor marca determina as baterias do mata-mata, onde quem concluir o trajeto na frente avança à fase seguinte, até a definição dos medalhistas.

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