“Antes de sermos policiais nós somos pessoas, somos seres humanos”, diz delegada que cuidou do filho de mulher presa durante operação policial

Titular da DP Regional de Soledade, Fabiane Bittencourt, coordenou investigação que resultou na prisão de 19 pessoas


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Foto: Arquivo pessoal

Uma cena de empatia e compaixão chamou a atenção durante uma operação policial desencadeada, na última semana, para desarticular uma organização criminosa na região Alta do Vale do Taquari. As atividades da Operação Monopólio foram realizadas nas cidades de Lajeado, Soledade, Arvorezinha, Ilópolis e Putinga e resultaram na prisão de 19 pessoas, após mais de um ano e meio de investigações.

Dentre os presos, uma mulher que ganhou um filho há 45 dias. O bebê estava junto com a mãe na residência. No decorrer das ações, a criança foi amparada e cuidada pela titular da Delegacia de Polícia Regional de Soledade, delegada Fabiane Bittencourt, que se sensibilizou com o caso. “Eu cheguei no local onde estavam os presos da operação justamente para fazer a contabilidade de quantos já estavam lá e me deparei com uma mulher, com um bebê no colo. Então questionei para os colegas quem seria aquela moça e eles me referiram que era um dos alvos da nossa investigação”, lembra.


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Segundo a delegada, a Polícia Civil não tinha conhecimento que a mulher havia dado a luz recentemente quando ingressou com o pedido de prisão preventiva. No entanto, imediatamente, foi representado junto ao poder judiciário o pedido de conversão da prisão. Ela explicou também que a criança só foi encaminhada junto com a mãe até a delegacia, pois não havia nenhum familiar que pudesse ficar com o bebê.

“Pela lei nós poderíamos encaminhar a mulher para o presídio e acionar o conselho tutelar para que adotasse as medidas com relação a criança. Mas, nós entendemos que naquele momento não era o mais adequado a ser realizado. Então, em caráter de urgência, representamos ao poder judiciário pela conversão da prisão preventiva para prisão domiciliar, para que a criança pudesse ficar junto com a mãe neste período em que ainda está sendo amentada”, esclarece.

Foto: Arquivo pessoal

Na visão da delegada, quem escolhe esta profissão precisa ser dinâmico em suas atividades profissionais. Ela lembra que em muitos casos o autor e a vítima de um mesmo crime são ouvidos lado a lado e cabe a autoridade policial saber diferenciar os momento de atuar com humanidade e com firmeza. “Antes de sermos policiais nós somos pessoas, somos seres humanos e não existe como dissociar esta situação da nossa condição profissional. Então nos carregamos essa bagagem das pessoas que nós somos e nossas atitudes acabam sendo pautadas em cima disso”, avalia.

Mãe de duas meninas, uma com mais de 20 anos e uma bebê com pouco mais de 1 ano de idade, Fabiane diz que sua atitude não foi motivo de surpresa para as filhas. “Embora muitas vezes a gente passe uma imagem de força e de firmeza publicamente, na nossa casa essa imagem é totalmente diferente. Minha família sabe que sou uma mãe muito amorosa, muito carinhosa, sempre presente. Eles não esperariam nada diferente disso, com certeza já sabiam que eu teria uma atitude como esta”, relata.

Além das 19 pessoas presas, durante as investigações que desencadearam a operação, também foram apreendidos 2kg de cocaína, 1kg de maconha, 500g de crack, cinco comprimidos de ecstasy e dois celulares.

Texto: Artur Dullius
reporter@independente.com.br

 

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