Ao escolher a satisfação momentânea você pode perder a chance de alcançar um prazer maior

Por outro lado, adiar um prazer momentâneo para acessar outro maior é uma estratégia muito interessante que podemos desenvolver em nossa vida, pois nos ajuda a alcançar objetivos pessoais e profissionais. Confira o comentário da jornalista e psicóloga Tamara Bischoff


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Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga (Foto: Rodrigo Gallas)

Adiar um prazer momentâneo para acessar outro maior é uma estratégia muito interessante que podemos desenvolver em nossa vida, pois nos ajuda a alcançar objetivos pessoais e profissionais.

Em um dos textos de sua extensa obra, Freud utiliza o seguinte exemplo para falar disso. Imagine uma corrida de cachorros, em que uma réstia de salsichas é exposta como prêmio, e que um brincalhão estraga, lançando uma única salsicha na pista. Os cachorros então se jogam sobre ela, esquecendo a corrida e as salsichas que esperam o vencedor no ponto de chegada.

Ao conseguirmos renunciar a uma satisfação imediata em favor de uma mais adiante, talvez incerta, mas inquestionavelmente superior, temos de suportar a frustração de nos sentirmos contrariados, e lidar com o desprazer momentâneo. No entanto, recolhemos esse rompante porque suportamos a espera e acreditamos em nossa possibilidade de superação.

É o que acontece quando fazemos um curso extenso, por exemplo. Se no momento da matrícula você se concentrar nos anos que levará para concluir, é possível que nem comece. Ao abrirmos mão de comer algo gostoso que prejudica nossa saúde ou que vai na contramão dos nossos objetivos estéticos, visualizamos o resultado futuro. Da mesma forma, quando, em vez de bater no filho que provoca, controlamos nosso ímpeto e buscamos outras estratégias para dar limites e educar, estamos pensando nos benefícios futuros que esse comportamento poderá gerar.

No trabalho, também não faltam amostras do tipo. Quantas vezes temos de realizar atividades que não gostamos, lidar com pessoas que nos irritam, acatar regras com as quais nem sempre concordamos. Se agirmos instintivamente, é provável que entraremos em muitas brigas; então nos contemos, porque queremos manter nosso emprego, receber o salário, alcançar um cargo melhor, e assim por diante.

Em resumo, se optamos sempre pelo caminho mais curto pode ser que tenhamos de nos contentar com uma lasca, e nunca possamos saborear o prato completo.

Mas assim como viver somente cobiçando o prazer do aqui e agora, adiar demasiadamente todas as alegrias também causa sofrimento, pois algumas situações da vida exigem desviar a atenção do todo e se contentar com uma parte. O problema reside nos extremos, em usar somente um único modo de funcionamento.

Se você estivesse nessa corrida, quem você seria? O cachorro que perde a chance de desfrutar de um banquete para abocanhar uma parte, ou aquele que permanece firme vislumbrando o prêmio final?

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