Após 29 anos de acidente com paralelepípedo, sobrevivente relembra e se comove com caso parecido

Médicos deram poucas horas de vida para Elaide Ines Schuh, que estava a bordo de um ônibus que foi atingido por um paralelepípedo


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Elaide Ines Schuh tem 59 anos e é sobrevivente de um acidente com um paralelepípedo, em Santa Catarina (Foto: Caroline Silva)

A repercussão do acidente em Porto Alegre que vitimou uma mulher de 45 anos neste domingo (13) na rádio Independente, foi motivo de emoção e comoção para Elaide Ines Schuh, de 59 anos. Em setembro de 1991, ela voltava de ônibus do Paraguai, que foi atingido por um paralelepípedo. Entre os 40 passageiros, ela foi a única atingida e sofreu traumatismo craniano encefálico, fratura exposta, e os médicos a deram poucas horas de vida.


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A sobrevivente fala que precisou tomar remédios nesta segunda-feira (14) após ouvir notícias do acidente em Porto Alegre. “Ela não teve a oportunidade de ficar como eu estou e isso mexe muito, não sei se a pessoa que jogou fez uma brincadeira ou foi por maldade mesmo, é muito triste”, comenta.

Elaide diz que não se recorda do acidente, somente que, antes do ocorrido, estava dormindo. “Só lembro da ida, estava dormindo no ônibus e lembro que a janela e a cortina estavam fechadas e aconteceu, não lembro de nada e nem de quando fui pra casa”, conta. O fato ocorreu no município de Iraceminha, em Santa Catarina. Como o motorista não se feriu, ele a levou para o hospital.

Hoje a sobrevivente é casada, reside desde 1997 em Lajeado e tem uma filha de 27 anos. Além de ser aposentada, ela ainda trabalha, e diz ser muito grata a vida. “Sou muito grata sempre, gratidão acima de tudo, e só posso desejar força para os familiares dessa mulher que perdeu a vida. Me considero uma pessoa feliz e sortuda, pois não fiquei praticamente com sequela nenhuma”, declara.

“Foi um milagre”

A irmã de Elaide, Elete Beatriz Schuh lembra que estava junto na viagem, sentada ao lado de Elaide. Também foi ela quem cuidou da irmã no hospital e na recuperação. Para Elete, foi um milagre. “O médico olhou para mim e disse ‘milagre tua irmã estar viva’ mas maior milagre é, além dela ter ficado viva, não ter tido sequelas, foi fé que a gente tem, não tem outra explicação”, diz.

Texto: Caroline Silva
jornalismo@independente.com.br