Após 50 dias: DML de Lajeado retoma necropsias e atendimentos clínicos

Serviços foram suspensos após uma série furtos no mês de outubro e estão sendo retomados desde esta quarta-feira (1º)


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No prédio localizado no Bairro Florestal são feitas necropsias (Foto: Artur Dullius)

Por falta de segurança, depois de uma sequência de furtos, o Departamento Médico-Legal (DML) de Lajeado retomou seus atendimentos nesta quarta-feira (1º). Os serviços clínicos e de necropsias foram paralisados em 11 de outubro, e até então, estavam suspensos. Conforme o médico perito do DML, Bruno Bersch Lieske, que há sete anos atua no local, a paralisação dos serviços também serviu como um pedido por melhorias.

“O arrombamento causou danos na estrutura física do nosso prédio. Equipamentos de maior valor não foram roubados porque não deixamos eles no local, mas fica uma aparência de que o nosso serviço está bem, que está tudo tranquilo, mas não está, existem problemas, existe uma carência de pessoas”, relata.


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Apesar de ser muito conhecido pelos trabalhos de necropsias, o médico relata que a maior demanda, que representa 80% dos atendimentos feitos no Posto Médico Legal (PML), localizado no prédio da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Lajeado, é representada por outros serviços.

“A gente atende pessoas vivas, vítimas de acidentes de trânsito, estupro, que solicitam laudos para dar andamento a seus inquéritos criminais, e isso é uma coisa pouco conhecida do nosso serviço”, diz Lieske. Entre as atividades realizadas também estão os atendimentos psicológicos e apoio a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica.

Médico perito do DML, Bruno Bersch Lieske (Foto: Gabriela Hautrive)

A carência de profissionais é um problema que já dura há sete anos. Enquanto em outras regiões do estado há de dois a três médicos peritos, em Lajeado é apenas um, segundo o médico.

“Isso é que que está motivando a nossa busca por melhorias nos serviços para as pessoas que nos procuram”, reforça. As melhorias em relação a estrutura do prédio recebem apoio de órgãos locais e municípios da região. “A gente consegue muitas vezes essas melhorias no prédio, mas a necessidade de uma reforma melhor para adequar ele. O nosso problema maior é a questão de funcionários, de servidores, e esse pedido de órgãos centrais do Estado.”

O número ideal de profissionais, por se tratar de um atendimento em uma área de abrangência a mais de 300 mil pessoas, seria de três médicos peritos, conforme Lieske. “Dai o atendimento poderia ser de 24h por dia. Aqui é impossível fazer isso com apenas uma pessoa atendendo, pois no momento em que eu estou de folga, não estou atendendo, então os corpos precisam ir para Poro Alegre”, explica.

Existem exames, por exemplo, que precisam ser feitos com uma certa emergência, como o caso de estupros, além de outras demandas que seriam melhor atendidas se o serviço não precisasse ser interrompido em determinados momentos, avalia o médico.

No Posto Médico Legal são realizados atendimentos clínicos (Foto: Gabriela Hautrive)

Sequência de furtos

O posto de Departamento Médico-Legal (DML) foi alvo de furto duas vezes na mesma semana no mês de outubro. Ao chegarem para trabalhar, os técnicos se depararam com a ação de ladrões, que na última vez, levaram todo o material cirúrgico. No dia 13 de outubro, os ladrões invadiram novamente o DML. A janela basculante arrombada e o teto quebrado permaneceram estragados, o que facilitou mais uma investida de bandidos. Por causa da falta dos equipamentos e de segurança, foram suspensas as necropsias em Lajeado por tempo indeterminado até aquele momento.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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