Após oito meses de impasses: obra do muro de gabião para conter enchente em Arroio do Meio será retomada

Prefeitura aguarda liberação de verba do Governo Federal. Após essa etapa, empresa Coesul é acionada e trabalhos devem ser concluídos em seis meses


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Obra está paralisada desde maio de 2021 quando empresa responsável retirou o maquinário e a equipe do local (Foto: Gabriela Hautrive)

As sinalizações no entorno e a grama alta indicam a paralisação das obras na Rua Campo Sales, esquina com a Rua Maurício Cardoso, no Bairro Navegantes, em Arroio do Meio. No local, em janeiro de 2021, começou a construção da obra de um muro de gabião para conter a força das águas do Rio Taquari em época de enchente. Porém os serviços foram paralisados por falta de repasse do Governo Federal para Prefeitura de Arroio do Meio, e consequentemente para a empresa responsável pelo serviço, a Coesul, vencedora da licitação, que retirou sua equipe e maquinário do local no dia 7 de maio.

 


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No último dia 27 de dezembro, o município e o Governo Federal chegaram a um acordo e após oito meses os trabalhos serão retomados, como explica o coordenador da Secretaria de Planejamento de Arroio do Meio, Carlos Rafael Black. “Essa obra deve estar recomeçando nos primeiros dias assim que vier o aporte financeiro da Defesa Civil, estipulamos que no prazo máximo de seis meses a obra será entregue a comunidade”, explica. Os entraves, segundo o coordenador, se deram pelo fato da Defesa Civil não concordar com algumas questões envolvendo o projeto, entre elas o recapeamento asfáltico na via. “No projeto inicial nós iriámos ter asfalto e calçada de passeio o que foi tirado por conta da execução do projeto na rua”.

A obra tem um investimento total de R$ 4,6 milhões com aporte da prefeitura. “A contrapartida do município é de mais ou menos R$ 1,2 milhão, que vai ser dado até o término da obra, então vindo a primeira parcela da defesa civil, vai ser repassada a primeira medição para a Coesul e depois dado o andamento na hora”, reforça Black. O coordenador garante que após essa primeira liberação, não há risco de que a obra seja trancada novamente. “Só vai parar no momento do término dela, não terá mais problema nenhum porque tem a reconciliação da empresa, do município e da Defesa Civil, então está tudo certo”, pondera.

Ainda não se tem um prazo exato para que o governo federal faça o repasse do valor, que é de R$ 1 milhão nesta primeira etapa, porém a qualquer momento isso pode acontecer. A Prefeitura de Arroio do Meio monitora diariamente o sistema aguardando uma resposta. Após feito isso, deverá acionar a empresa responsável pela obra e aguardar sua disponibilidade para que de fato o trabalho seja retomado. “Isso depende de como a Coesul estará, como ela tem várias obras, ela tem que terminar outra e depois vir para cá, mas questão de 60 dias no máximo, depois do primeiro aporte, eles devem estar reiniciando a obra”, completa.

Como será o muro de gabião

O muro de gabião está sendo montado com pedras acumuladas em armações de aço, com oito metros de altura, sendo a base de 1,5m, firmado dentro da água, às margens do Rio Taquari, e 6,5m fora da água. Ele está localizado na Rua Campos Sales, no entroncamento com a Rua Maurício Cardoso, no Bairro Navegantes. A estrada, no entorno, inicialmente receberia 232 metros de revestimento asfáltico para ajudar na impermeabilização, porém essa questão será ajustada devido aos impasses que a prefeitura teve com o Governo Federal.

Empresa responsável pela obra

A vencedora da licitação para construção do muro de gabião é a empresa Coesul, com sede em Porto Alegre. Em maio, quando o serviço foi paralisado, a reportagem entrou em contato com o gestor comercial da empresa, Heleno Woloszyn, que explicou o porque da empresa ter retirado seu maquinário no local, que foi justamente o não recebimento de recursos devido a questões burocráticos envolvendo a Prefeitura de Arroio do Meio e a Defesa Civil do Governo Federal.

“A empresa executou os serviços durante três meses, concluindo 30% da obra, envolvendo os principais itens do que está no contrato, que são as instalações das estruturas dos gabiões e até o momento não recebemos nenhuma contrapartida financeira”, explicou na época.

Naquele momento já havia sido investido mais de R$ 1 milhão com materiais, operação de equipamentos e mão-de-obra. “O centro de custos desta obra encontra-se absolutamente deficitário, sendo insustentável para empresa manter suas equipes mobilizadas no local”, ressaltou. O gestor também tinha deixado claro que, assim que a situação dos repasses financeiros fosse resolvida, as obras seriam retomadas. “A empresa promete avaliar novamente com a administração as condições operacionais e climáticas para a retomada dos trabalhos”.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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